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O ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), afirmou nesta terça-feira (21) que negou encontros com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro depois de analisar a situação financeira do liquidado Banco Master e obter informações negativas sobre a instituição no mercado.
Segundo Haddad, Vorcaro tentou marcar encontros por meio de diferentes pessoas, mas nunca pelos canais oficiais do governo.
“Vorcaro tentou se aproximar de mim por vários caminhos, mas nunca pelo caminho oficial. Eu já havia analisado o balanço do Banco Master e recebido informações preocupantes do mercado financeiro. Por isso, não o recebi: não tinha o que conversar com ele”, afirmou em entrevista ao canal My News.
Fernando Haddad lembrou que, posteriormente, os pedidos de reunião passaram a vir acompanhados de mensagens sugerindo que a situação do país poderia se agravar caso algo acontecesse com o empresário.
“Os pedidos de audiência passaram a trazer recados implícitos de que, se algo acontecesse com ele, o caos se instalaria. Mas o Brasil não pode passar pano nem politizar investigações criminais”, pontuou.
As investigações da Polícia Federal revelaram uma ampla rede de influência construída por Vorcaro com autoridades da República, principalmente do Poder Legislativo tanto da base governista como da oposição -- como os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI). Nomes do Poder Judiciário, como os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, também apareceram em apurações com ligação com o empresário.
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Haddad também negou qualquer interferência do governo federal no trabalho da Polícia Federal. Segundo ele, a corporação tem autonomia para conduzir os inquéritos.
“É preciso investigar e punir quem errou. Até aqui, a Polícia Federal tem atuado com ampla autonomia no governo Lula: investiga, apura, comprova, processa e prende quando necessário”, completou.
As relações financeiras do Banco Master com as autoridades brasileiras vieram à tona após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição, em novembro de 2025, alegando supostas fraudes e descumprimento de normas do sistema bancário. No mesmo dia, a Polícia Federal iniciou a Operação Compliance Zero para investigar a suspeita de emissão de títulos de crédito falsos que levou Vorcaro à prisão pela primeira vez.
Entre os principais alvos da apuração estão operações envolvendo carteiras de crédito consignado negociadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As transações investigadas somam cerca de R$ 12,2 bilhões com conhecimento do então presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa, também preso pela Polícia Federal.








