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A primeira-dama, Janja da Silva, e a esposa do cantor Caetano Veloso, Paula Lavigne, acompanham audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a proibição de casas de apostas no Brasil, que ocorre nesta terça-feira (3). A informação foi divulgada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) em suas redes sociais. De acordo com ele, a ideia é que ela preencha o que classifica como uma ausência de representantes da sociedade civil.
Janja e Paula não estão no cronograma oficial de quem deve falar na audiência. Janones, porém, diz que "o povo não precisa ser convidado para ser ouvido". Ele também avisa que a militância "estará acompanhando tudo e denunciando qualquer manobra sorrateira para liberar a atuação das bets novamente".
A audiência pública será conduzida pelo ministro Luiz Fux. Ele é relator de uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) proposta pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) que questiona a medida provisória assinada às vésperas das eleições de 2026.
O evento ocorre após a própria Advocacia-Geral da União (AGU) admitir que os fatos em discussão no processo "recomendam a atualização da instrução". Para as bets, se o próprio governo admite que é necessário entender melhor o caso, a consequência seria preservar a realidade como estava antes da proibição.
As exposições estão previstas para ocorrer das 10h às 17h30, com um intervalo das 12h30 às 14h30.
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Veja a lista oficial de participantes
Manhã — clubes e esporte
- Clube de Regatas do Flamengo;
- Fluminense Football Club;
- Botafogo de Futebol e Regatas;
- Cruzeiro Esporte Clube;
- São Paulo Futebol Clube;
- Sport Club Corinthians Paulista;
- Associação Atlética Ponte Preta;
- Esporte Clube Vitória;
- Guarani Futebol Clube;
- Portuguesa Sociedade Anônima de Futebol;
- Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense;
- Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf);
- Confederação Brasileira de Futebol (CBF);
- Comitê Olímpico do Brasil (COB);
- Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB);
Tarde — governo, setor econômico e entidades
- Advocacia-Geral da União (AGU);
- Procuradoria-Geral da República (PGR);
- Ministério da Fazenda;
- Ministério do Esporte;
- Ministério da Justiça e Segurança Pública;
- Ministério da Saúde;
- Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC);
- Associação Brasileira de Supermercados (Abras);
- Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja);
- Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL);
- Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR);
- Associação Nacional dos Prefeitos e Vice-Prefeitos da República Federativa do Brasil (ANPV);
- Associação Brasileira das Concessionárias e Permissionárias de Loterias Estaduais (Abracopel);
- Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert);
- Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim);
- Confederação Nacional da Indústria (CNI);
- Laboratório de Regulação Econômica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ Reg);
- Associação Brasileira de Liberdade Econômica (Able);
- Associação Internacional de Gaming (AIGaming).
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Entenda o interesse econômico dos clubes
Desde a regulamentação do setor, as bets ampliaram suas relações comerciais com o futebol brasileiro por meio de patrocínios e naming rights, contratos que associam o nome de uma marca a estádios ou competições. Em Salvador, a Arena Fonte Nova passou a se chamar Casa de Apostas Arena Fonte Nova, em contrato de quatro anos. Em março de 2026, os Aflitos, do Náutico, passaram a adotar o nome Estádio Esportes da Sorte Aflitos. Já em Natal, a Casa de Apostas Arena das Dunas tem contrato de naming rights válido até 2029. Já o Feira Futebol Clube suspendeu o uso do nome Superbet Arena após a publicação da MP.
Os Naming Rights atingem ainda os principais campeonatos esportivos do país. O Campeonato Brasileiro passou a se chamar Brasileirão Betano e a Copa do Brasil virou Copa Betano do Brasil. A Copa do Brasil ainda tinha, além da Betano, Superbet, Betnacional e Betesporte entre seus patrocinadores.
A dimensão financeira vai além desses contratos. Só os patrocínios das casas de apostas aos clubes da Série A superaram R$ 1 bilhão em 2025. Levantamento citado pelo Sinafut calcula cerca de R$ 1,14 bilhão, enquanto outro levantamento publicado neste mês aponta R$ 1,03 bilhão.
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Relembre o histórico das bets no Brasil
As bets passaram a ter aval jurídico no Brasil graças a uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB) no final do seu mandato (12 de dezembro de 2018). A norma determinava que o governo federal deveria regulamentar o setor em até dois anos, prorrogáveis por mais dois anos, ou seja, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
O prazo expirou sem que houvesse uma regulamentação. Houve consultas, minutas e até inclusão das apostas no programa de desestatização, mas a norma final não saiu. Em julho de 2023, Lula editou uma medida provisória para tratar do assunto e enviou à Câmara um projeto de lei. O ato perdeu a validade em novembro de 2023. O Congresso, então, acelerou a tramitação do que se tornou o marco legal das apostas esportivas.
Já o "Tigrinho" veio de uma brecha aberta durante a passagem do marco legal pela Câmara. O deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA) ampliou o conceito de aposta de quota-fixa, anteriormente associado a eventos reais do esporte. Ele registra, em um parecer, que "a ampliação desse conceito permitirá, por exemplo, que sejam oferecidas apostas de quota fixa sobre jogos on-line". A definição abarca os cassinos virtuais:
"Jogo on-line: canal eletrônico que viabiliza a aposta virtual em jogo no qual o resultado é determinado pelo desfecho de evento futuro aleatório, a partir de um gerador randômico de números, símbolos, figuras ou objetos definido no sistema de regras".
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) reagiu quando o texto chegou à Casa Alta, apresentando uma emenda para limitar apostas a eventos reais. Flávio Bolsonaro votou a favor dessa limitação, mas o PT e o governo orientaram voto contrário. Depois o texto voltou à Câmara, que restabeleceu os jogos on-line, e Lula sancionou a Lei 14.790 em 29 de dezembro de 2023.




