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A empresária e lobista Roberta Luchsinger, apontada como amiga muito próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acumula processos judiciais relacionados a dívidas não pagas em São Paulo e Minas Gerais. De acordo com uma apuração exibida pela TV Globo neste final de semana, as ações envolvem desde profissionais autônomos e empresas até proprietários de imóveis.
Em pelo menos duas ações, Roberta Luchsinger alegou não possuir condições de arcar com os custos judiciais, enquanto oficiais de Justiça não conseguiram encontrá-la em endereços informados em diferentes ocasiões. Por outro lado, a lobista frequentemente ostentava a imagem de empresária de sucesso, compartilhando nas redes sociais imagens de viagens internacionais, jantares em restaurantes caros e rotina de alto padrão.
À TV Globo, a empresária não aceitou conceder entrevista e enviou uma relação de números de ações, indicando quais já foram arquivadas. Sobre o caso em Minas Gerais, Roberta afirmou ter sido também enganada pelo investidor do projeto e alegou que o proprietário do imóvel conhecia os riscos da operação financeira.
A Gazeta do Povo procurou a defesa de Roberta Luchsinger para se pronunciar sobre a apuração e aguarda retorno.
Roberta Luchsinger se tornou o pivô de uma crise interna no PT e no governo pelas suspeitas de negócios irregulares com Lulinha e por tráfico de influência com Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete da presidência. Também entra na lista o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do roubo bilionário de aposentados e pensionistas.
Sobre Marcola, Roberta declarou à época que “não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo” e que “eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra”. Sobre Lulinha, afirmou que “eu e Fábio somos amigos” e que “já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista”.
A apuração da TV Globo aponta que a aproximação de Roberta com o meio político começou em 2011, durante o casamento com o então deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), encerrado em 2014. Em 2017, a lobista passou a se apresentar publicamente como herdeira de um dos fundadores do banco suíço Credit Suisse, mas registros civis indicam que seu avô, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, nasceu no Rio de Janeiro e era proprietário de uma lavanderia – questionada, ela disse não ter documentos que comprovassem a origem suíça do familiar.
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Da lista de credores que se dizem lesados por Roberta está um fazendeiro de Minas Gerais que a lobista convenceu para ser seu sócio, e que deu sua propriedade como garantia de um empréstimo para financiar um documentário. As parcelas não foram pagas e o imóvel foi confiscado pela Justiça.
Outro credor é um tapeceiro que prestou serviços avaliados em R$ 61 mil em 2011, mas que recebeu apenas R$ 25 mil. A dívida foi levada à Justiça, mas acordos firmados durante a execução do processo não foram cumpridos. Roberta apresentou 14 gravuras atribuídas a Cândido Portinari supostamente avaliadas em R$ 70 mil, mas que não passavam de reproduções impressas.
Outras cobranças citadas nos processos incluem:
- Instituição de ensino: R$ 91 mil em mensalidades escolares não pagas;
- Loja de roupas: dívida de R$ 6,1 mil que ultrapassou R$ 21 mil com atualização judicial;
- Agência de publicidade: contratação de R$ 42 mil para pré-campanha, com apenas R$ 4,2 mil pagos;
- Trabalhadoras domésticas: processos por verbas rescisórias que somavam R$ 50 mil e terminaram prescritos sem pagamento.
Também houve uma ação de despejo envolvendo um apartamento de alto padrão em São Paulo. Roberta ocupou o imóvel a partir de 2019, mas os proprietários, um casal de idosos que dependia do aluguel, recorreram à Justiça em 2020 por falta de pagamento de aluguel, condomínio e IPTU; a desocupação só ocorreu em 2023, enquanto a dívida, que chegou a R$ 500 mil, foi quitada em maio de 2024.







