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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elogiou nesta quarta-feira (22) o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pela remoção das credenciais de um agente dos Estados Unidos após o governo de Donald Trump expulsar um delegado brasileiro do país.
O presidente disse esperar que os Estados Unidos estejam "dispostos a voltar a conversar" para que as relações possam "voltar à normalidade".
"Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", disse o petista.
Lula, Rodrigues e o ministro da Justiça, Wellington César Lima, se reuniram nesta tarde para a assinatura do decreto que autoriza a contratação de mil novos policiais federais.
O delegado da PF, Marcelo Ivo de Carvalho, atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês).
Ele monitorou o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que vive nos EUA e é considerado foragido pela Justiça brasileira. Ramagem ficou detido em uma instalação do ICE por dois dias.
Após ser solto, ele chegou a agradecer à “alta cúpula” do governo Trump pela soltura.
Nesta segunda (20), os EUA expulsaram o delegado brasileiro por supostamente tentar "contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas" ao território dos EUA.
Mais cedo, Rodrigues disse à GloboNews que havia retirado as credenciais de um agente de imigração americano que atuava no Brasil.
O Itamaraty formalizou a medida e anunciou a “interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro”.
O governo criticou a postura de Washington, classificando-a como uma quebra de "boas práticas diplomáticas" entre países que mantêm mais de 200 anos de relação.
“Guerra contra o crime organizado”
Paralelamente ao embate diplomático, Lula utilizou o pronunciamento para anunciar a convocação de mil servidores para a Polícia Federal, incluindo 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas.
"Nós assumimos o compromisso de fazer uma guerra contra o crime organizado e nós precisamos dos policiais em serviço da Polícia Federal", declarou o presidente, reforçando que também recomendou o retorno de agentes que estão prestando serviços em outros departamentos.
O ministro da Justiça disse que “não é possível combater o crime organizado sem medidas concretas como essas e outras que o governo adotará”.
“Isso vai permitir que a gente amplie a nossa atuação nas regiões de fronteira, em portos, aeroportos na defesa do nosso patrimônio ambiental, dos nossos biomas e com isso a gente preste melhores serviços à sociedade”, declarou Rodrigues.








