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Crime organizado

Lula tenta reverter imagem de inércia com pacote bilionário para segurança pública

Lula
Governo tenta reverter narrativa de inércia no combate ao crime organizado principalmente após reunião de Lula e Trump. (Foto: Octavio Guzmán/EFE)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar nesta terça-feira (12) um pacote de R$ 960 milhões voltado ao combate ao crime organizado, numa tentativa do governo federal de fortalecer a imagem na área da segurança pública às vésperas da corrida eleitoral de 2026. Batizado de “Brasil contra o Crime Organizado”, o programa prevê novas regras, reforço financeiro e ações operacionais para enfrentar facções criminosas em todo o país.

O lançamento ocorrerá um dia após Lula se reunir com ministros, nesta segunda (11), que participaram da viagem aos Estados Unidos para encontro com o presidente Donald Trump. A reunião discutiu, entre outros temas, a criação de um grupo de trabalho envolvendo países das Américas para coordenar ações de combate ao crime organizado internacional.

A movimentação do Palácio do Planalto ocorre também em meio à pressão política de adversários ligados ao discurso de linha dura contra o crime. Lula pode enfrentar nas urnas o senador Flávio Bolsonaro (PL-TJ) e o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD-GO), dois nomes que têm a segurança pública como uma das principais bandeiras políticas.

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O plano “Brasil contra o Crime Organizado” será regulamentado por decreto e por pelo menos quatro portarias, além de colocar em prática pontos do chamado PL Antifacção. A iniciativa mira um dos temas que mais desgastam o governo petista, já que a segurança pública aparece entre as maiores preocupações da população brasileira.

“Discutimos o comércio bilateral, negociações tarifárias, a cooperação no combate ao crime organizado e minerais críticos. Vamos seguir em tratativas para ampliar nossas parcerias, fortalecendo sempre o caminho do diálogo sem abrir mão de nossa soberania”, disse Lula na semana passada após a reunião com Trump.

As primeiras informações apontam que um novo aporte financeiro será direcionado ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional. O valor representa quase um terço dos recursos já previstos no Orçamento deste ano para essas áreas, que somam R$ 2,1 bilhões para segurança pública e R$ 607 milhões para o sistema penitenciário.

Além do reforço no caixa, o governo quer criar uma linha de crédito para facilitar empréstimos aos estados interessados em ampliar investimentos na segurança pública. O modelo ainda está em elaboração pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, atualmente comandado por Wellington Lima e Silva, e pelo ministro Dario Durigan, da Fazenda, junto de outras pastas.

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Focos do plano

O “Brasil contra o Crime Organizado” será dividido em quatro frentes principais: combate ao tráfico de armas, “asfixia financeira das facções”, fortalecimento das investigações de homicídios e ampliação da segurança no sistema prisional. O objetivo do governo é atingir diretamente a estrutura financeira e operacional das organizações criminosas.

“O ‘Brasil contra o crime organizado’ terá, como principal motor, a asfixia financeira das organizações criminosas e daqueles que, de alguma maneira, negociam com elas e usam esse dinheiro sujo para alimentar o mundo do crime”, afirmou o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, no mês passado ao dar um panorama geral do programa.

Entre as medidas previstas está a expansão do Cifra, o Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos, atualmente concentrado no Rio de Janeiro. A ideia é ampliar o rastreamento e o bloqueio de recursos ilícitos por meio da integração entre Polícia Rodoviária Federal, Coaf, polícias civis, secretarias estaduais e Ministérios Públicos.

O plano também prevê investimentos nos Institutos Médicos Legais e na polícia científica para melhorar a produção de provas técnicas e aumentar a taxa de resolução de homicídios no país. Outra prioridade será reforçar o controle dentro dos presídios estaduais, considerados pelo governo como centros de articulação e recrutamento do crime organizado.

A proposta inclui ainda mudanças na gestão de bens apreendidos de criminosos, com incentivo à realização de leilões antes mesmo da conclusão dos processos judiciais. O Ministério da Justiça quer centralizar essas operações para acelerar a destinação dos ativos e direcionar os recursos arrecadados novamente para o financiamento das ações de segurança.

O governo também pretende fazer um pente-fino nacional em processos ligados a facções criminosas, com apoio do CNJ, para reunir informações sobre bens bloqueados, apreendidos ou ligados às organizações criminosas. A medida deve ajudar na criação de bancos de dados integrados e no monitoramento do patrimônio das facções.

Outra aposta do programa é o uso de tecnologia para rastrear movimentações financeiras suspeitas. A proposta prevê softwares customizados para os estados, capazes de identificar fluxos financeiros ilícitos e ampliar a capacidade de investigação das autoridades.

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