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Uma nova pesquisa da Quaest divulgada nesta quinta (12) aponta que mais da metade dos entrevistados acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) é aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento não aponta motivos, mas essa dobradinha vem sendo sugerida por críticos há anos, principalmente após a intensificação dos julgamentos dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo a Quaest, 59% veem uma dobradinha do STF com o governo, 26% discordam que haja essa aliança e 3% se mostraram indiferentes. Outros 12% não souberam ou preferiram não responder.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios brasileiros entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-5809/2026.
A percepção de que há uma aliança entre o STF e Lula também é sentida por parlamentares da oposição, principalmente por causa das sucessivas iniciativas do governo de recorrer à Corte quando seus projetos de interesse não são aprovados ou outros contrários passam pelo Congresso, são vetados pelo presidente e têm o veto derrubado. Entre os exemplos está a derrubada do decreto presidencial que aumentou a alíquota do IOF, no ano passado, e restabelecido pelos ministros.
Outro episódio apontado como uma dobradinha entre o STF e Lula é a questão do Marco Temporal de Demarcação das Terras Indígenas, que o Congresso votou a favor, o presidente vetou, os parlamentares derrubaram o veto e a Corte tomou para si a discussão.
Ao se fazer um retrospecto, essa percepção de parceria vai além e aponta a existência desse senso de parceria já desde a eleição de 2022, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição, foram alvos de investigações por supostos ataques às instituições da República.
Já entre os próprios parlamentares, há também uma visão de parceria entre Lula e o STF após a indicação e posse de Flávio Dino como ministro da Corte, que empreendeu um périplo contra as emendas parlamentares e abriu uma crise com o Poder Legislativo. Nos bastidores, deputados veem no magistrado um caminho para o presidente de acabar ou deslegitimar estes recursos, altamente criticados por ele, que chegou a compará-los a um “orçamento paralelo”, por retirar verbas de investimentos do governo e repassá-las aos parlamentares.
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A pesquisa da Quaest vai além e aponta que 49% dos brasileiros não confiam no STF, agravado principalmente após o estouro do escândalo do Banco Master e o envolvimento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro ou pessoas próximas a ele.
O instituto apontou que os que confiam na Corte caiu de 50% no ano passado para 43% neste levantamento.
O levantamento também mostra que a maioria dos entrevistados (72%) vê uma alta concentração de poder nas mãos dos ministros do STF – e a consequente falta de alternativa para conter isso. Outros 18% discordam dessa tese, 2% se mostraram indiferentes e 8% não souberam ou não responderam.












