
Ouça este conteúdo
O pastor Silas Malafaia defendeu nesta quarta-feira (28) a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil e viajar aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial e a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Malafaia classificou a medida judicial como perseguição política e afirmou que o parlamentar agiu corretamente ao sair do país.
“Vocês queriam o quê? Eu estou vendo a esquerda espernear. Queria que Flávio ficasse aqui para ser preso sem o devido processo legal numa perseguição igual à farsa do golpe que prendeu o pai dele? Ele fica aqui esperando. Está corretíssimo”, declarou o pastor.
Malafaia também questionou a imparcialidade de Moraes e afirmou que o ministro atua politicamente no Supremo. “Ele não é magistrado, ele é um agente político no STF”, disse.
O pastor relacionou a decisão contra Flávio à atuação da Polícia Federal (PF), que solicitou a apreensão dos passaportes do senador após a proclamação do resultado eleitoral.
Segundo Malafaia, o intervalo entre a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o pedido da PF demonstraria perseguição ao parlamentar e à direita.
“A Polícia Federal de Lula e Alexandre Moraes, comandada por Andrei [Rodrigues], sete minutos depois que confirmaram a vitória de Lula, pede a Alexandre Moraes a apreensão do passaporte do Flávio. Na mesma noite de domingo, Alexandre, sem consultar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dá ordem para apreender o passaporte de Flávio e, no dia seguinte de manhã, o da mulher dele”, afirmou.
Malafaia cita investigação contra ele
O pastor também mencionou a própria investigação no STF para sustentar as críticas ao ministro.
Malafaia afirmou que a apreensão de seu passaporte e de outros objetos pessoais, durante uma investigação anterior, representou outra demonstração de perseguição política.
“Apreendeu há mais de um ano meu passaporte, cadernos teológicos, apreendeu meu celular numa farsa tentando me envolver em um inquérito que não tem nada com isso”, declarou.
Na sequência, Malafaia agradeceu ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo arquivamento de investigações relacionadas a ele.
O pastor usou o episódio para voltar a criticar Moraes e afirmou que o ministro prejudica a reputação do Supremo.
Família Bolsonaro é alvo frequente de Moraes
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio ocorre após uma sequência de medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a integrantes da família Bolsonaro.
Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais. No mês seguinte, converteu as cautelares em prisão domiciliar, sob a alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram usadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O senador, então pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua pré-candidatura à Presidência. O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor do pai. O STF condenou o ex-deputado por coação no curso do processo. Após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão para cumprir a pena de quatro anos e dois meses, a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos EUA. Em outro processo, também relatado por Moraes, o STF condenou Eduardo, em setembro deste ano, por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas em 2021, quando ele ainda exercia o mandato de deputado.






