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Caso Master

Mendonça confirma encontro com Vorcaro e advogado sobre precatórios

André Mendonça
Encontro teria ocorrido em 2025 a pedido do próprio empresário para tratar sobre precatórios que estavam em poder do Master. (Foto: Victor Piemonte/STF)

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) que teve uma reunião com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, em 2025 para falar sobre precatórios que estavam sob tutela da instituição financeira.

A confirmação ocorreu horas depois de o site ICL Notícias publicar uma reportagem com áudios de um advogado de Vorcaro em que articula um encontro reservado do ex-banqueiro com o ministro, que é relator do processo do Banco Master no STF e que tornou pública, na véspera, a investigação sobre uma suposta relação de proximidade do empresário com o colega ministro Alexandre de Moraes.

"O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo", disse Mendonça em uma nota emitida por seu gabinete (veja na íntegra mais abaixo).

Mendonça se pronunciou sobre a apuração cerca de duas horas após a publicação, que apontava um "encontro secreto" com Vorcaro e outro com seu advogado em uma alfaiataria em São Paulo. Mensagens vazadas ao ICL Notícias apontam que o advogado Ciro Soares estava "trabalhando por você [Vorcaro]" e que "levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", com a articulação do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).

"O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele", afirmou Soares a Vorcaro.

A apuração afirma que não se sabe se alguma providência foi tomada por Mendonça em relação ao caso.

A Gazeta do Povo procurou o deputado para comentar a apuração e aguarda retorno.

André Mendonça confirmou que se reuniu também com o advogado de Vorcaro, Ciro Soares, a respeito de um processo que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco Master, mas que estava, na ocasião, com pedido de vista de outro ministro.

O ministro frisa que Vorcaro também fez o mesmo movimento com outros magistrados do STF sobre o processo e que foi contrário ao que o ex-banqueiro pleiteava.

"A atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos", pontuou Mendonça citando que mantém todos os registros do encontro e documentos apresentados em seu gabinete.

Na véspera, Mendonça tornou público o relatório da Polícia Federal que revela uma relação de proximidade entre Moraes e Vorcaro, além de indícios de diálogos atribuídos ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e citação ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.

Diferente de Mendonça, Alexandre de Moraes não se pronunciou sobre as informações apuradas pela Polícia Federal, como supostos diálogos com Vorcaro às vésperas da prisão do empresário durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, a edição do contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua esposa com o Banco Master, os indícios de que ajudou o empresário a organizar um evento em Londres com outro ministro do STF e autoridades, entre outros relatos.

Paulo Gonet pediu a nulidade das provas levantadas pela investigação e acusou Mendonça de atropelar o rito processual do STF.

O que dizem os citados

Veja abaixo o que disse o ministro André Mendonça sobre o encontro com Vorcaro noticiado pelo site ICL Notícias:

Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro.

Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto.

Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos.

Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade.

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