
Ouça este conteúdo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça defendeu que o código de ética em discussão na Corte preveja "responsabilização em caso de descumprimento dos padrões previamente estabelecidos". A declaração ocorreu horas antes de o ministro levantar o sigilo de um processo e expor mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao contato "Alexandre de Moraes", além de contratos com o escritório Barci de Moraes.
"A responsabilidade jurídica é um elemento de responsabilidade, mas a responsabilidade política é a responsabilidade que a sociedade propriamente impõe aos seus agentes públicos, de padrões de conduta, de avaliação de procedimentos, mas além de termos instituições justas com padrões de correção", destacou.
Edson Fachin defende a adoção de um código de ética no Supremo desde que assumiu a presidência do STF. Em fevereiro de 2026, escolheu Cármen Lúcia para relatar a proposta. De acordo com a ministra, a versão final deve estar pronta até o final do ano.
Mendonça disse que expressou a Fachin sua concordância à proposta "desde o primeiro momento", mas o tema não é unânime no colegiado. Alvo da nova etapa da crise, Moraes afirmou que a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) já é suficiente para estabelecer padrões de conduta e criticou o que classificou como "demonização" de palestras concedidas por ministros.
Além da responsabilização, Mendonça defendeu que o novo código estabeleça padrões de transparência e prestação de contas. Fachin tem promovido reformas à frente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que iniciaram com a criação do Observatório Nacional da Integridade e Transparência (ONIT) logo em sua posse.
Mais recentemente, no dia 4 de agosto, o ministro apresentou uma proposta que dialoga diretamente com as revelações: uma resolução com diretrizes para prevenção e gestão de conflitos de interesses.
VEJA TAMBÉM:
Mensagens mostram proximidade e pedidos por intervenção
As mensagens de Vorcaro mostram uma relação de proximidade e "dívida de vida" com Moraes. O banqueiro pede ao ministro que intervenha, reforçando com "Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem". Os nomes surgem logo após a menção a pressões da Polícia Federal (PF), dirigido por Andrei Rodrigues, e do Ministério Público Federal (MPF), chefiado por Paulo Gonet.
Seis minutos depois dessa mensagem, segundo os metadados analisados, Vorcaro encaminha a Moraes uma lista com quatro nomes da PF e três nomes do MPF:
- Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF;
- Janaína Palazzo, delegada que conduziu o depoimento de Vorcaro;
- Ubiratan Cazetta, procurador da República;
- Gabriel Pimenta Alves, procurador da República ligado à apuração do caso Master;
- Wilker Goulart, agente da PF;
- Guilherme Alves, delegado da PF;
- Daniel de Brito, procurador da República;
Em outra ocasião, o banqueiro faz um apelo: "Pelo amor de Deus veja se você consegue bloquear toda maldade". Em meio aos apelos, há uma mensagem de gratidão:
"Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo".
VEJA TAMBÉM:




