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Disputa sobre penas do 8 de janeiro

Parecer da PGR aumenta pressão, mas não tira de Moraes controle sobre Lei da Dosimetria

Parecer da PGR aumenta pressão, mas não tira de Moraes controle sobre Lei da Dosimetria
Parecer da PGR aumenta pressão, mas não tira de Moraes controle sobre Lei da Dosimetria (Foto: André Borges/EFE)

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A manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a suspensão da chamada Lei da Dosimetria fortaleceu a defesa da norma aprovada pelo Congresso Nacional, mas não deve acelerar necessariamente uma decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre o tema. Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam, porém, que, quanto mais a decisão demora, maior é a pressão para que o STF se manifeste.

Na quarta-feira (18), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável à validade da lei que pode reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado na ação penal sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. 

Apesar do posicionamento, especialistas apontam que Moraes, como relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) sobre a lei, continua com ampla margem para definir quando o assunto voltará à pauta.

"O relator é o dono da pauta e do prazo. Então, consegue protelar", afirmou o advogado criminalista Bruno Gimenes Di Lascio, mestre em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), à Gazeta do Povo. Segundo ele, não existe prazo legal que obrigue o ministro a decidir imediatamente após a manifestação da PGR.

O professor de Direito Penal Tédney Moreira, do Ibmec Brasília, afirma que a manifestação da PGR elimina uma das etapas processuais que o relator aguardava para formar seu convencimento. “O ministro continua sem prazo rígido para decidir, mas, do ponto de vista institucional, a conclusão das manifestações aumenta a expectativa por uma definição", avalia Moreira.

"Quanto mais tempo a cautelar permanecer sem reavaliação, maior tende a ser a pressão política e jurídica por uma solução", complementa Moreira. 

Atualmente, a aplicação da Lei da Dosimetria permanece suspensa por decisão cautelar de Moraes. Assim, os presos pelos atos de 8 de janeiro não têm acesso aos benefícios de redução da pena que a lei concedeu.

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Embora o Supremo não seja obrigado a seguir o entendimento da PGR, a manifestação de Gonet acrescenta peso político e jurídico à defesa da norma.

"Em tempos de normalidade constitucional, aquela manifestação teria um peso jurídico relevante para a análise de um magistrado”, comenta a advogada especialista em Direito Constitucional Vera Chemin. 

A posição da PGR contrasta com a decisão cautelar de Moraes e reduz o isolamento dos defensores da lei dentro do processo. 

Embora o parecer tenha grande relevância institucional, Tédney Moreira concorda que não obriga Moraes nem os demais ministros a seguirem o entendimento apresentado.

"O parecer é opinativo e não vincula o relator nem o Plenário. Em outras palavras, o ministro pode concordar integralmente, parcialmente ou até divergir da posição apresentada pela Procuradoria", explicou. 

Segundo o ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa, embora não exista prazo específico, a relevância do tema recomendaria uma solução célere. 

"Dada a relevância do tema e sendo matéria penal, ainda mais com redução da dosimetria, o que favorece réus, deveria ser matéria de urgência e, portanto, de rápida solução", afirmou Costa. 

Câmara e Senado têm margem limitada de atuação 

As Casas legislativas, que defenderam a constitucionalidade da lei, também têm poucas alternativas para acelerar o andamento do caso.

“Politicamente, [Câmara e Senado] podem intensificar manifestações públicas, aprovar moções ou defender maior celeridade no julgamento. Juridicamente, o Congresso, por meio de suas advocacias e presidências, pode peticionar nos autos requerendo prioridade e destacando os impactos institucionais da suspensão”, pondera Moreira.

A efetividade dessas medidas, no entanto, continua dependendo da atuação do relator.

O mesmo ocorre com eventuais recursos processuais. Uma das ferramentas disponíveis seria a apresentação de agravo interno para provocar a análise colegiada da questão. "O instrumento é o agravo interno, que também depende do agendamento do relator. É um círculo sem socorro", comenta o advogado Gimenes Di Lascio.

Moraes pode rever a própria decisão, mas decisão sobre mérito deve ser tomada no plenário do STF 

Uma das possibilidades abertas após a manifestação da PGR é a reconsideração da liminar. Como relator das ações, Moraes tem competência para revisar a própria decisão cautelar e restabelecer a eficácia da lei antes mesmo do julgamento definitivo.

Na prática, porém, os analistas consideram pouco provável uma mudança imediata de entendimento sem que o tema seja submetido ao colegiado. 

Na avaliação do advogado Bruno Di Lascio, o cenário mais provável não é a revogação imediata da cautelar nem uma deliberação específica sobre a suspensão da lei. 

"Acredito que [o que vai acontecer é o] julgamento direto do mérito da ADI que questiona a lei. Assim, o relator pede data para julgamento ao presidente do STF e protela ainda mais a decisão sobre as execuções penais em tramitação", afirmou.

Caso esse cenário se confirme, a Lei da Dosimetria permaneceria suspensa até que o plenário do Supremo decida definitivamente se a norma é compatível ou não com a Constituição. 

Para o ex-magistrado Adriano Soares da Costa, a manutenção prolongada da suspensão prejudica as pessoas que eventualmente teriam direito à revisão de pena ou à progressão de regime.

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