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No programa Última Análise desta quarta-feira (22), os convidados analisaram como o presidente Lula (PT) decidiu transformar o tarifaço americano em campanha eleitoral particular. Depois que o próprio secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atribiu ao "ego" do petista a tarifação, o petista apelou para a mais deslavada retórica anti-imperialista. Tudo ao custo da economia do próprio país.
"É realmente um escândalo o fato de Lula ser tão ególatra. O petista, e parte da imprensa tradicional, encampou o discurso da revanche contra os EUA, o que não faz o menor sentido. A taxação é 100% política e o Brasil vai perder negócios com EUA", avalia a advogada Fabiana Barroso.
Após a entrada em vigor das tarifas, o petismo reagiu com uma campanha nas redes sociais. Com o lema “O Brasil não se entrega”, Lula quer defender a soberania nacional diante do que a legenda chama de pressão dos Estados Unidos sobre a economia brasileira.
O jurista Frederico Junkert afirma que, no fundo, trata-se de ganhar dividendos políticos. Segundo ele, "o PT apela para a retórica da defesa da soberania e pouco se importa com a economia brasileira, ignorando os motivos da administração americana".
Discurso de inspiração autoritária
A reação petista inflamada acabou trazendo perigosas semelhanças com outros países do continente. Líderes da esquerda, como o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e o presidente nicaraguense Daniel Ortega, utilizaram da mesma retórica agressiva contra os EUA.
"É o manual é do 'perfeito idiota latino-americano' ["Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano" é uma obra de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa]. A esquerda se forojou neste discurso de ataque dos EUA, que representam uma espécie de império do mal. E daí que Lula apela como se os americanos estivessem atacando o Brasil", avalia Junkert.
Segundo o partido, as ações norte-americanas teriam relação com interesses políticos ligados até à família Bolsonaro e representariam uma tentativa de colocar disputas particulares acima dos interesses do país.
"Do ponto de vista histórico, não se sustenta. Infelizmente, nada disso aparece em uma campanha eleitoral, mas os EUA nunca foram inimigos do Brasil, pelo contrário. O país foi fundamental para o desenvolvimento nacional, com a indústria da tecnologia, para citar um exemplo", diz o economista e colunista da Gazeta do Povo José Pio Martins.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.



