Manifestação no Rio de Janeiro em apoio à Lava Jato: pesquisa revela que três quartos da população defendem a manutenção da operação.
Manifestação no Rio de Janeiro em apoio à Lava Jato: pesquisa revela que três quartos da população defendem a manutenção da operação.| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Mais de três quartos dos brasileiros defendem a continuidade do trabalho da operação Lava Jato em Curitiba. Os números são de levantamento feito pelo instituto Paraná Pesquisa, divulgado nesta segunda-feira (17). As entrevistas verificaram também que o desempenho da força-tarefa é aprovado por 48,9% da população, e que para cerca de 40% dos brasileiros a gestão de Jair Bolsonaro fez mais do que os governos anteriores no combate à corrupção.

A pesquisa ouviu 2.260 pessoas, distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, com entrevistas por telefone realizadas entre os dias 11 e 15. O grau de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,0%.

Apoio generalizado

O apoio à continuidade da Lava Jato em Curitiba é defendido por 78,1% dos brasileiros. A opinião favorável é identificada em todas as regiões do Brasil — o menor patamar é o do Nordeste, que é de 72,5%, contra 22,2% de rejeição.

A pesquisa fez outras segmentações (por sexo, idade, escolaridade e presença na população economicamente ativa) e verificou que, em nenhum dos subgrupos, o apoio à continuidade da Lava Jato é menor do que 70%.

Quadro similar se dá em relação à avaliação sobre o desempenho da Lava Jato. O índice de aprovação (soma de ótimo e bom) não é inferior a 40% em nenhum dos extratos. A maior reprovação, verificada pela soma das avaliações ruim e péssimo, é a da região Nordeste, que chega em 26,2%. Mas também ali a aprovação à Lava Jato é de 45,8%.

Pesquisa aponta percepção sobre combate à corrupção no governo Bolsonaro

O levantamento apurou também a percepção dos brasileiros em relação ao combate à corrupção promovido pelo governo Bolsonaro. A análise de 39,6% dos entrevistados é que o presidente fez mais sobre o tema do que os antecessores. Um quarto dos entrevistados acha que Bolsonaro fez menos, enquanto 29,8% vê igualdade neste aspecto.

A faixa do eleitorado que mais acredita que Bolsonaro executou mais ações de combate à corrupção na comparação com os antecessores é dos moradores das regiões Norte e Centro-Oeste, grupo no qual a taxa é de 47,8%.

A pesquisa perguntou ainda aos entrevistados se a gestão Bolsonaro "melhorou, não melhorou nem piorou ou piorou o ambiente político para os trabalhos da Operação Lava Jato". Neste aspecto, a opção mais escolhida pelos entrevistados foi a intermediária: 35,4% acredita que o governo não melhorou nem piorou o ambiente político para a operação.

Operação sob ataque

A Lava Jato passará por um importante capítulo na terça-feira (18), quando o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa em Curitiba, será julgado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O resultado do julgamento pode excluir Dallagnol da Lava Jato.

A operação se iniciou em 2014 e, desde então, levou à prisão algumas das principais figuras políticas do país, como os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e, em seu momento de maior destaque, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Lava Jato projetou nacionalmente o ex-juiz Sergio Moro, que se tornou conhecido por conduzir a operação na 13.ª Vara de Curitiba. Ele deixou o cargo em 2018 para ser o ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e permaneceu na função até abril de 2020, quando saiu após romper com o presidente.

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