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Ele chama valor de “empréstimo”

PF identifica pagamento de amiga de Lulinha a ex-chefe de gabinete de Lula

Lula diz que Lulinha "jura" ser inocente e promete não usar cargo para protegê-lo
Lula diz acreditar na inocência de Lulinha, investigado pela PF, mas afirma que não usará o cargo para protegê-lo. (Foto: EFE/Andre Borges)

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A Polícia Federal (PF) rastreou um depósito da empresária Roberta Luchsinger, conhecida por sua proximidade com Fábio Luís da Silva, o Lulinha, na conta do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Ele admitiu ter recebido o valor, mas disse que se tratou de um “empréstimo”, que já foi quitado. O valor não foi informado.

Roberta aparece nas investigações da Operação Sem Desconto, que apura abatimentos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS por entidades associativas sem autorização dos beneficiários. A transação foi identificada na quebra dos sigilos fiscal e telemático de Roberta. Marcola foi exonerado há duas semanas por comunicação no Diário Oficial da União.

O advogado da empresária, Roberto Podval, afirmou que só se pronunciará nos autos. O pagamento foi revelado com exclusividade pelo site Poder360 e confirmado pela Gazeta do Povo com pessoas familiarizadas com os trabalhos da PF.

Três novas investigações apuram se Lulinha, juntamente com a amiga Roberta Luchsinger, teria atuado para favorecer uma empresa do lobista preso pelas fraudes nas aposentadorias, Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, declarou Marco ao Poder360.

A defesa de Lulinha divulgou uma nota oficial nesta terça-feira à luz dos novos acontecimentos, criticando "vazamentos seletivos" (confira íntegra abaixo).

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do Careca do INSS nem com a de Marcola.

Leia íntegra da nota de Lulinha:

Recebemos com absoluta tranquilidade a notícia de instauração de ainda mais um inquérito. Utilizaremos todas as oportunidades para esclarecer qualquer dúvida que porventura surja sobre as atividades pessoais e profissionais de Fábio Luís. Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento.

Temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino, jurista que admiramos e respeitamos.

É importante dizer, entretanto, que pedimos a todos os órgãos responsáveis providências enérgicas contra vazamentos reiterados, seletivos e criminosos. Temos denunciado a instrumentalização de setores da polícia federal a serviço de interesses políticos e eleitorais, em prejuízo da imparcialidade e legalidade que deveriam reger procedimentos criminais.

Reconhecemos os esforços do Diretor-Geral da Polícia Federal para manter a harmonia da corporação, bem como sua independência e autonomia. Essa instituição havia sido capturada por interesses privados do governo anterior, notadamente pelo líder do executivo, para proteção de seus filhos, asseclas e milicianos que ocuparam o governo do país. Uma vez reconquistadas, a independência e autonomia desse órgão de estado devem ser praticadas com responsabilidade e observância dos regramentos constitucionais e legais.

Não podemos permitir que interesses não republicamos e externos contaminem procedimentos investigativos ou o próprio processo eleitoral. Em uma democracia de dimensões continentais, investigações devem ser imparciais e eleições devem ser decididas com votos.

GUILHERME SUGUIMORI SANTOS

MARCO AURÉLIO DE CARVALHO

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