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A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) encaminhou nesta sexta-feira (30) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório detalhando a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão.
O documento compreende o período entre 15 e 27 de janeiro e registra de forma cronológica a rotina do ex-presidente no 19º Batalhão de PM, conhecido como Papudinha, em Brasília.
Bolsonaro contou com acompanhamento médico frequente, envolvendo tanto profissionais da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) quanto médicos particulares. Além das consultas, o ex-presidente também realizou diversas sessões de fisioterapia.
Segundo o relatório, os atendimentos realizados pela SES-DF consistiram em avaliações clínicas de rotina, com foco no monitoramento de sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio.
No âmbito familiar, o relatório aponta que Bolsonaro recebeu visitas de sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), logo no primeiro dia de custódia e, novamente, nos dias 21 e 22. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) também esteve presente na unidade nos dias 21 e 22 de janeiro.
O cotidiano na carceragem militar incluiu períodos reservados para atividades físicas, especificamente caminhadas diárias que, em certos dias, chegaram a durar uma hora.
No aspecto espiritual, o registro menciona a assistência de capelania prestada pelo pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni nos dias 20 e 27 de janeiro. Os advogados também fazem visitas ao ex-mandatário.
Bolsonaro não leu livros na Papudinha para reduzir a pena
Apesar da movimentação médica e jurídica, o relatório destaca que, durante todo o período analisado, não houve registros de atividades laborais ou de participação em programas de remição de pena por leitura.
No último dia 8, a defesa informou a Moraes que Bolsonaro manifestou “sua vontade de aderir formalmente às atividades de leitura" regulamentadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Ao determinar a transferência, o relator autorizou o ex-presidente a participar do programa. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal, em parceria com a Secretaria de Educação, tem uma lista com mais de 300 livros autorizados para essa finalidade. Entre os livros que o ex-presidente pode ler, estão:
- “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva;
- “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley;
- “Democracia”, de Philip Bunting;
- “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski;
- “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell.
Prisão de Bolsonaro
Bolsonaro ficou em prisão domiciliar de 4 de agosto até 22 de novembro, quando foi preso preventivamente por tentar violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A detenção ocorreu no âmbito do inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
No dia 25 de novembro, Moraes encerrou a ação penal da suposta tentativa de golpe de Estado e determinou o cumprimento imediato da pena de 27 anos e três meses de prisão de Bolsonaro. A defesa já apresentou diversos pedidos de prisão domiciliar humanitária, mas as solicitações foram negadas pelo ministro.




