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Para entender

Polícia Federal enfrenta atrasos para encerrar investigação sobre o Banco Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, na prisão. (Foto: SAP-SP/EFE)

A Polícia Federal (PF) enfrenta dificuldades para concluir os inquéritos da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e o BRB. O cronograma original, que previa o encerramento de frentes importantes em agosto de 2026, foi comprometido por sucessivos adiamentos de depoimentos de testemunhas e investigados fundamentais para o caso.

Quais foram os principais depoimentos adiados recentemente e por que isso aconteceu?

Recentemente, testemunhas de peso como André Esteves, controlador do BTG Pactual, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, tiveram suas oitivas canceladas ou adiadas a pedido das defesas. Os advogados alegam, principalmente, a falta de acesso integral aos documentos da investigação para preparar os depoimentos. Além deles, Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, já teve seu depoimento remarcado três vezes pela mesma razão. Esse efeito acumulado de adiamentos trava a agenda dos investigadores, reduz o tempo para cruzar dados e empurra o relatório final.

Como o cenário das eleições de 2026 interfere no andamento das investigações da PF?

Embora as justificativas oficiais para os adiamentos sejam jurídicas, investigadores acreditam que o calendário político exerce forte influência. Com o segundo turno das eleições marcado para 25 de outubro de 2026, existe uma incerteza sobre o ambiente político que surgirá após as urnas. Personagens importantes do caso, como o senador Jaques Wagner, reeleito na Bahia, ainda não foram ouvidos. Dependendo do resultado eleitoral, mudanças de forças no Congresso e no Executivo podem alterar o cenário em que esses relatórios serão recebidos e julgados no futuro, possivelmente em 2027.

O que a Polícia Federal busca descobrir com os depoimentos dos ex-servidores do BC?

A Polícia Federal tenta reconstruir reuniões, comunicações e decisões internas para entender se houve favorecimento ilegal ao banco de Daniel Vorcaro. A suspeita é de que ex-servidores do Banco Central tenham agido para beneficiar a instituição financeira em operações irregulares. Para os investigadores, esclarecer essa relação é uma das frentes mais sensíveis da Compliance Zero. O objetivo é saber o que a cúpula da autarquia conhecia sobre essas interações. Cada depoimento não realizado funciona como uma peça faltando em um quebra-cabeça que envolve o sistema financeiro nacional.

Qual é a situação atual do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas investigações?

Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, prestou depoimento presencial nesta quinta-feira, 15 de outubro, na Papudinha, em Brasília, onde está preso há sete meses. Ele respondeu sobre a tentativa de venda do Master ao BRB e a negociação de carteiras de crédito suspeitas, operação que foi barrada pelo Banco Central em 2025. Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, negam irregularidades ou a existência de uma estrutura de corrupção. Apesar desse avanço, a PF precisou pedir mais 60 dias de prazo para concluir as apurações, já que outras peças essenciais do inquérito seguem travadas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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