
Mesmo sem nomes competitivos nas pesquisas, o Centrão aposta na candidatura de Ronaldo Caiado para a Presidência em 2026. A meta do bloco partidário não é vencer no primeiro turno, mas acumular capital político para negociar cargos e influência no governo que assumir o poder.
Qual é a real intenção do Centrão com a terceira via?
Para os partidos que formam o Centrão, lançar um candidato próprio como Ronaldo Caiado serve como um instrumento de valorização. O objetivo principal não é necessariamente ganhar a eleição, mas sim ter força para negociar apoio no segundo turno. Ao ter um nome na disputa, eles aumentam seu 'passe' para barganhar ministérios, cargos e controle do orçamento com quem chegar à etapa final.
Como Ronaldo Caiado aparece nas pesquisas atuais?
Segundo levantamento do Paraná Pesquisas de março de 2026, Lula lidera com 41,3% e Flávio Bolsonaro aparece com 37,8%. Caiado, o nome defendido por Gilberto Kassab (PSD) como a 'melhor via' contra a polarização, registra apenas 3,6% das intenções de voto. Outros nomes, como Romeu Zema, também aparecem com índices baixos, reforçando que o eleitor continua concentrado nos dois polos principais.
O que os cientistas políticos dizem sobre essa estratégia?
Especialistas afirmam que o discurso de alternativa à polarização não tem 'aderência' no eleitorado atual. A candidatura é vista como flexível e 'fisiológica'. Isso significa que, por não ter compromissos ideológicos rígidos, o grupo pode se aliar a qualquer um dos lados no segundo turno em troca de benefícios práticos que ajudem a manter o controle da máquina pública.
Quem já tentou ocupar o espaço de terceira via em anos anteriores?
O posto de alternativa já foi ocupado por diversos nomes. Marina Silva foi a principal voz em 2010 e 2014, chegando a quase 20% dos votos. Em 2018, Ciro Gomes liderou esse campo com 12,4%. Já em 2022, Simone Tebet foi o rosto da terceira via, mas obteve apenas 4,1%. O histórico mostra uma fragmentação e dificuldade em romper o domínio entre PT e seus principais opositores.
Por que é tão difícil viabilizar um nome fora dos dois polos?
O principal obstáculo é a falta de conexão orgânica com o povo. Cientistas políticos explicam que a terceira via no Brasil costuma nascer de conversas entre líderes de partidos (articulações de cúpula) e não de um movimento popular real. Sem uma base social forte que sustente o candidato, a movimentação acaba servindo apenas para o jogo político interno de Brasília.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









