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Para entender

Por que Mendonça livrou servidor do BC suspeito de corrupção de depor?

Sessão da CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (24). (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

O ministro André Mendonça, do STF, autorizou que Bellini Santana, ex-chefe do Banco Central, falte ao depoimento na CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (24). Santana é investigado por receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro para fornecer informações privilegiadas.

Quem é Bellini Santana e qual sua relação com o caso?

Ele é ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Investigações da Polícia Federal indicam que ele atuava como um consultor informal para o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Santana é suspeito de receber propina para vazar decisões e atos da autoridade monetária que pudessem favorecer os negócios do empresário.

Qual foi o argumento da defesa para que ele não fosse ao Senado?

A defesa alegou barreiras logísticas e jurídicas. Bellini mora em São Paulo e utiliza tornozeleira eletrônica devido a medidas restritivas impostas pelo STF, o que dificultaria seu deslocamento até Brasília. Diante disso, o ministro André Mendonça decidiu que o comparecimento do servidor à comissão seria facultativo, ou seja, ele teria o direito de escolher se iria ou não depor.

O que a CPI do Crime Organizado pretende investigar nesse episódio?

Os senadores buscam entender como o crime organizado se infiltra em instituições públicas. Existe a suspeita de que o Banco Master movimentou dinheiro para a gestora Reag, acusada de lavagem de capitais para o PCC. Como o Banco Central é o órgão que deve fiscalizar essas instituições, o envolvimento de seus diretores em esquemas de propina compromete a segurança do sistema financeiro nacional.

Como funcionava o esquema de troca de informações privilegiadas?

Segundo o despacho de Mendonça, Vorcaro mantinha interlocução direta e frequente com dois diretores do Banco Central. Ele enviava minutas e documentos para análise prévia desses servidores antes mesmo de serem protocolados oficialmente. Em troca, solicitava orientações estratégicas sobre como conduzir reuniões institucionais e como abordar temas sensíveis perante os reguladores.

O que acontece com os servidores do Banco Central agora?

Além das investigações criminais e do uso de tornozeleira, a situação administrativa deles se agravou. A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processos disciplinares contra os dois ex-chefes do BC envolvidos. Se as irregularidades forem confirmadas ao final da apuração interna, eles podem sofrer a pena de demissão e serem expulsos definitivamente do serviço público.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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