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O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que expressou preocupação quanto à proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em entrevista à Folha de São Paulo divulgada nesta quinta-feira (26), o líder partidário avaliou que parlamentares contrários à proposta podem votar favoravelmente apenas em razão do ano eleitoral.
"Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa. Às vezes até tem que votar [favorável] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo", afirmou o parlamentar.
Pereira fez referência a "notas técnicas do setor produtivo" para tratar do aumento dos custos às empresas, que poderiam ser repassadas ao consumidor final. "Pode ficar ruim para todos, porque vai tirar mais ainda a competitividade do setor produtivo brasileiro", completou.
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Motta teria convidado o deputado para debater o tema, mas já defendeu a redução da jornada, apontando para sua popularidade e para o impacto na qualidade de vida do trabalhador. O presidente da Câmara ainda avaliou que uma aprovação é "muito viável", desde que o texto seja construído com a negociação adequada e com uma regra de transição que não afete repentinamente o setor produtivo.
Marcos Pereira ainda atribui a Motta uma fala em que o presidente da Câmara teria considerado "melhor que a Casa tome o protagonismo", uma vez que o governo insiste na pauta, vista como popular em pleno ano eleitoral. Motta, no entanto, nega que sua defesa seja em torno de protagonismo, insistindo no discurso de qualidade de vida à população.
Em entrevista ao portal Metrópoles, o presidente da Câmara evocou o fim da escravidão no Brasil para mencionar o lobby de empregadores e a avaliação de impacto negativo em mudanças na dinâmica do trabalho. Outro momento histórico mencionado é o da criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por Getúlio Vargas.
"Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal. [...] O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?", opinou Marcos Pereira.








