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9ª Compliance Zero

PT defende Jaques Wagner de envolvimento com escândalo do Banco Master

Jaques Wagner
Partido afirma ter "confiança" na inocência do senador e que ele explicará sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu o senador Jaques Wagner (PT-BA) das suspeitas de envolvimento nas fraudes financeiras supostamente cometidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. O parlamentar, que é líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, foi o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, nesta quinta-feira (18).

A investigação aponta que Wagner atuaria como interlocutor no Senado de interesses do Banco Master através do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e que também foi alvo da operação.

“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, afirmou Edinho Silva em nota (veja na íntegra mais abaixo).

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Ainda segundo o dirigente petista, há a “confiança” de que Jaques Wagner “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”. O senador, no entanto, ainda não se pronunciou sobre a operação.

A posição do PT nacional é semelhante à do diretório baiano do partido, que também disse ter “total e plena confiança” no senador e que ele já foi “acusado injustamente” em outros casos ao longo de sua carreira.

“Ao longo de toda sua vida política, Wagner foi acusado injustamente inúmeras vezes e jamais teve absolutamente nada que o desabonasse. O andar das investigações vai mais uma vez provar que Wagner nunca se envolveu com qualquer ato ou ação fora da legalidade”, afirmou (veja na íntegra mais abaixo).

Na mesma linha seguiu a bancada do PT no Senado, que defendeu ainda o "respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa" e que tem "convicção de que o senador Jaques Wagner prestará todos os esclarecimentos necessários e demonstrará, ao longo das apurações, a correção de sua conduta diante dos fatos investigados" (veja na íntegra mais abaixo).

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As investigações apontam que, entre os assuntos discutidos entre Wagner e Lima, estava a negociação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), a chamada “Emenda Master”, que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mudanças em legislações relativas ao crédito consignado, entre outros.

Ao detalhar os indícios reunidos pela Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que Jaques Wagner é apontado pelos investigadores como o “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”, figurando como o agente público em favor de Vorcaro e Augusto Lima.

“A atuação parlamentar de Jaques Wagner também é indicada como elemento de correlação. A representação aponta sua participação na pauta do crédito consignado, especialmente na Emenda convertida em lei em contexto temporal próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa de seu núcleo familiar”, escreveu o ministro no despacho que autorizou a operação e que a Gazeta do Povo teve acesso.

Segundo a investigação, empresas ligadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner teriam recebido R$ 3,5 milhões em propina, além da negociação de um apartamento de luxo de R$ 2,45 milhões em Salvador, viagens em jatinhos ligados a Lima e a Vorcaro e a concessão de ingressos para uma apresentação musical em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A investigação aponta que o senador mantinha interlocução frequente com empresários ligados ao Banco Master durante as negociações para a venda da instituição financeira ao BRB, operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central. Ao analisar mensagens trocadas entre os investigados, André Mendonça afirmou que o senador “não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.

“Augusto atuou como canal de interlocução com Jaques Wagner sobre temas de interesse do Banco Master. Enviou notícias sobre rating, estrutura acionária, Will Bank (liquidado pelo Banco Central), PEC nº 65/2023 (que recebeu a chamada “Emenda Master”), operação BRB/Master (compra do Master pelo BRB, barrada pelo Banco Central), requerimentos no Senado e CPI do Master”, escreveu o ministro no despacho.

Para a Polícia Federal, o volume e a regularidade dessas comunicações demonstram que Wagner acompanhava de perto assuntos considerados estratégicos para o futuro do Master. Em um dos trechos destacados na decisão, Mendonça reproduz a avaliação dos investigadores de que a frequência dos contatos sugere uma relação “funcionalmente direcionada e não meramente social”.

O que dizem os citados

Veja abaixo o que disse o PT nacional sobre a operação desta quinta-feira (18):

O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência.

Veja o que disse o PT da Bahia sobre a operação:

O PT da Bahia reafirma total e plena confiança nas condutas do senador Jaques Wagner. Ao longo de toda sua vida política, Wagner foi acusado injustamente inúmeras vezes e jamais teve absolutamente nada que o desabonasse. O andar das investigações vai mais uma vez provar que Wagner nunca se envolveu com qualquer ato ou ação fora da legalidade.

Veja abaixo o que disse a bancada do PT no Senado:

A Bancada do PT no Senado manifesta sua plena confiança na trajetória pública do senador Jaques Wagner, cuja vida política é marcada pelo compromisso com o estado da Bahia e com o Brasil.

Além disso, reafirma apoio às investigações em curso envolvendo o Banco Master e, ao mesmo tempo, defende o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. A sociedade brasileira tem o direito de conhecer a verdade: irregularidades ou crimes devem ser rigorosamente apurados, com a devida responsabilização de quem tenha cometido ilícitos.

Salienta ainda ter convicção de que o senador Jaques Wagner prestará todos os esclarecimentos necessários e demonstrará, ao longo das apurações, a correção de sua conduta diante dos fatos investigados.

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