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No programa Última Análise desta quarta-feira (29), os convidados falaram sobre a derrota histórica do governo no Senado Federal, após rejeição pelo Plenário da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após mais de 100 anos, um indicado pelo presidente da República foi negado, com um placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis.
"O Brasil está insatisfeito com o cenário institucional e o Senado refletiu este desejo majoritário. Tudo indica uma fraqueza política enorme do governo Lula. Governo que já deveria ter acabado mas que, agora, está politicamente encerrado", avaliou o senador Sérgio Moro (PL-PR).
Para a aprovação do indicado do petista, eram necessários, no mínimo, 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. Desde a criação do STF, há 135 anos, apenas cinco nomes foram barrados pelo Senado, todos em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto (1839-1895).
O ex-procurador Deltan Dallagnol disse que a votação passou três recados claros: "o primeiro, para Lula, segundo o qual emendas parlamentares não compram senadores. O segundo, para o STF, contra os abusos praticados. E o terceiro para Messias que, agora, sabe que ações valem mais que palavras", explica ele.
Alcolumbre e Lula em guerra
A rejeição de Messias pegou de surpresa até mesmo membros da oposição que buscavam o resultado desfavorável ao governo petista. À Gazeta do Povo, assessores parlamentares ainda atribuíram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), um papel central na articulação contra o advogado-geral da União.
Moro avalia que a insatisfação de Alcolumbre era "notória" e que isso determinou sua postura no processo. "Ao meu ver, ele conduziu o caso de maneira bastante republicana, sendo a sabatina marcada em tempo razoável, com tempo até para o governo trabalhar", elogia o senador.
A avaliação da base do governo é a de que, com a postura de Alcolumbre, não há clima para uma nova indicação no curto prazo. A derrota ainda fez crescer as expectativas da oposição em relação à análise do veto ao projeto de lei da dosimetria, que pode reduzir a pena dos envolvidos no Oito de Janeiro.
"O papel do Senado nunca foi o de agir como um 'cartório', que reconhece formalmente os interesses do Executivo. Agora, a casa deixou claro que senadores vão agir com vigor para selecionar aqueles que, de fato, estejam à altura do STF", diz o professor da FGV Daniel Vargas.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.






