A reta final do primeiro turno das eleições presidenciais foi marcada por uma combinação de disputas eleitorais, questionamentos ao Judiciário e novos episódios envolvendo aliados do governo. Entre os temas que mais repercutiram estiveram a recorde de reprovação do Supremo Tribunal Federal (STF), as propostas de reforma da Corte, a investigação envolvendo pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o cancelamento do principal debate da campanha presidencial.
Além disso, temas como apostas esportivas, religião, influência internacional na política brasileira e declarações do presidente argentino Javier Milei ampliaram a temperatura da disputa eleitoral a poucos dias da votação.
STF enfrenta pior avaliação da série histórica
Um dos assuntos mais discutidos da semana foi a divulgação da pesquisa Datafolha que apontou recorde de reprovação ao STF. Segundo o levantamento, 47% dos brasileiros classificam a atuação da Corte como ruim ou péssima, enquanto apenas 18% têm avaliação positiva. O resultado reforçou o debate sobre o papel do Judiciário e sua influência no cenário político nacional.
A repercussão da pesquisa coincidiu com o avanço de propostas de reforma do Supremo no Congresso. Entre as mudanças em discussão estão mandatos fixos para ministros, novos critérios de indicação e mecanismos de responsabilização disciplinar. O tema ganhou força após sucessivas controvérsias envolvendo decisões da Corte.
Investigação sobre Petrobras amplia tensão eleitoral
Outro tema de grande repercussão foi a investigação da Polícia Federal sobre a possível atuação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, da empresária Roberta Luchsinger e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, em negociações relacionadas à Petrobras e à empresa Unigel. A apuração busca esclarecer se houve atuação para favorecer interesses privados em um contrato que, segundo análises citadas na reportagem, poderia gerar prejuízos significativos à estatal.
Os envolvidos negam irregularidades e afirmam que as informações divulgadas decorrem de vazamentos seletivos. O caso passou a ser explorado politicamente em meio à campanha eleitoral e aumentou a pressão sobre o governo.
Religião e bets entram no centro da disputa
Na campanha presidencial, dois temas ganharam destaque: religião e apostas esportivas. A polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida recolocou o voto religioso no centro do debate político. A campanha de Lula buscou reforçar sua conexão com o eleitorado católico, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro acusaram adversários de explorar uma informação falsa para desgastar o candidato.
Ao mesmo tempo, a questão das bets transformou-se em pauta eleitoral. Lula anunciou medidas para proibir apostas online, enquanto Flávio Bolsonaro defendeu o combate aos cassinos virtuais. O tema ganhou relevância por atingir milhões de brasileiros e por apresentar elevado potencial de impacto junto ao eleitorado.
Decisões judiciais provocam cancelamento de debate
O episódio mais explosivo da semana ocorreu na quinta-feira. Decisões do STF e do TSE alteraram regras do debate presidencial da TV Globo, incluindo a proibição da exibição do púlpito vazio destinado a Lula e de perguntas dirigidas ao candidato ausente. A controvérsia levou ao cancelamento do encontro.
A medida gerou reações imediatas de lideranças políticas. Governadores e candidatos como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury criticaram a atuação do Judiciário e afirmaram que o episódio representa um sinal de deterioração institucional.
Pressão internacional entra na campanha brasileira
A semana também foi marcada por repercussões internacionais. Reportagem citada pela Gazeta apontou que recursos vinculados ao governo do presidente americano Donald Trump poderiam financiar grupos brasileiros que contestam a atuação do STF, ampliando o debate sobre liberdade de expressão e interferência internacional.
Já na América do Sul, o presidente argentino Javier Milei elevou o tom ao chamar Lula de "ladrão" e manifestar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. As declarações repercutiram fortemente no ambiente político brasileiro e ampliaram a dimensão internacional da disputa presidencial.
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