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Dados da Receita

Sistema da Receita detectou 2.599 acessos a dados de autoridades entre 2025 e 2026

Moraes mandou investigar servidores no âmbito do inquérito das fakenews, mas apurações indicaram esquema envolvendo terceirizados.
Moraes mandou investigar servidores no âmbito do inquérito das fakenews, mas apurações indicaram esquema envolvendo terceirizados. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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Os sistemas de segurança da Receita Federal foram acionados 2.599 vezes entre março de 2025 e março de 2026 para alertar sobre acesso ou impressão de declarações de Imposto de Renda de pessoas politicamente expostas. A informação foi obtida pela Gazeta do Povo por meio da Lei de Acesso à Informação.

O sistema não impede o acesso às informações, mas emite um alerta ao chefe imediato do servidor assim que há o acesso a dados de pessoas politicamente expostas. Para a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), o sistema cria uma espécie de "foro privilegiado fiscal" às autoridades e a seus familiares, e constrange os servidores que trabalham na auditoria legítima das pessoas politicamente expostas.

Em fevereiro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes mandou investigar ao menos quatro servidores por suspeita de vazamento de dados de ministros, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de seus familiares. A nota da Corte gerou indignação na categoria por expor os nomes dos investigados, o que não é comum em comunicados do tipo.

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Moraes utilizou o chamado inquérito das fake news, que já tramita há sete anos, para atrair para seu gabinete os procedimentos contra os servidores. Mais tarde, descobriu-se que servidores terceirizados estariam vendendo as declarações de imposto de renda a cerca de R$ 250 por CPF, em um esquema que já ocorria há anos e não tinha relação com supostos ataques ao Estado Democrático de Direito.

Após criticar a conduta do Supremo, o presidente da Unafisco, Kleber Cabral, foi intimado a prestar depoimento à Polícia Federal (PF). Ele recebeu a solidariedade da própria associação e de delegados do Sindifisco Nacional.

A conduta também chamou a atenção do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), que acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar possíveis abusos do Supremo na condução de inquéritos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem cobrado o fim do inquérito das fake news.

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