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Após maconha

STF está perto de discutir descriminalização de todas as drogas, diz Gilmar

Ministro diz que já utilizou cannabis medicial comprada em Portugal para lidar com dores.
Ministro diz que já utilizou cannabis medicial comprada em Portugal para lidar com dores. (Foto: Antonio Augusto/STF)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes avaliou que a Corte está próxima de discutir a descriminalização de todas as drogas. A declaração ocorreu nesta terça-feira (31), em entrevista ao podcast "Cannabis Hoje Pod", do canal Cannabis Hoje. O episódio foi divulgado com o título "Gilmar Mendes – um ministro do STF simpático à cannabis".

"Acho que estamos próximos de discutir a descriminalização geral das drogas. Já temos, inclusive no âmbito da ONU, alguns critérios sobre isso", disse o magistrado.

Em 2024, o Supremo considerou inconstitucional a caracterização do porte de maconha como crime. A conduta ainda é ilegal, mas com punição no âmbito administrativo.

O tráfico, porém, continua criminalizado. Para diferenciar usuário de traficante, os ministros fixaram o limite de até 40 gramas da droga. "O importante é que nós saibamos que essa decisão foi um passo importante, mas é só um passo", opinou.

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Em seu voto, decano da Corte votou para absolver mulher que portava 0,8 grama de cocaína e lembrou de precedente de absolvição até mesmo por tráfico. Em seu voto, decano da Corte votou para absolver mulher que portava 0,8 grama de cocaína e lembrou de precedente de absolvição até mesmo por tráfico. (Foto: Antonio Augusto/STF)

Apesar de só dizer respeito à maconha, a decisão de 2024 gerou impacto no entendimento da própria Corte. No mês passado, Gilmar votou para absolver uma mulher que portava 2,3 gramas de maconha e 0,8 grama de cocaína, estendendo o precedente da maconha.

Na ocasião, o ministro lembrou que já houve decisão até mesmo em favor de um réu por tráfico de drogas, situação em que também se aplicou o princípio da insignificância.

De acordo com Gilmar, o Supremo está "tentando fazer a redefinição de uma adequada política", em que pretende marcar uma "ruptura com aquela mensagem de guerra total às drogas".

Indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002, o magistrado divide seu tempo entre o trabalho no Brasil e períodos em Portugal, país em que tem um apartamento. Durante a entrevista, ele revelou que já comprou cannabis no país europeu, com o objetivo de lidar com dores. O ministro disse que ficou com uma "boa impressão" após a experiência.

"Eu já comprei cannabis para atenuar dores, numa loja em Portugal. Na Europa é muito comum lojas que vendem esses produtos, inclusive cremes, como se fosse um bálsamo. Fiquei com uma boa impressão", revelou.

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