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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta (12) que a Polícia Federal envie a ele todos os dados dos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro que o citam em mensagens. Na véspera, veio à tona a informação de que ele e o empresário mantinham uma relação próxima, com conversas telefônicas e trocas de mensagens.
Segundo apurações da GloboNews e do Estadão, ao determinar o envio do material, Toffoli citou um pedido dos advogados de defesa para terem acesso ao conteúdo das mídias e dos demais elementos de provas documentadas. A apuração da Polícia Federal aponta, entre outros fatos, a possibilidade de ter recebido pagamentos de Vorcaro e convite a festas, além de citações que apontam uma proximidade entre eles.
"As referidas providências deverão ser adotadas imediatamente, para que seja possível cumprir-se o disposto na Súmula Vinculante 14, preservando-se o direito de defesa, o contraditório e o devido processo legal", explicou.
A Gazeta do Povo procurou o STF para explicar a determinação e aguarda retorno. Os dados geraram um relatório de quase 200 páginas entregue pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Em menos de 24 horas, Toffoli emitiu duas notas negando relações com Vorcaro, mas, em uma delas, admitiu ter sido sócio de uma empresa com os irmãos que deteve participações em um resort no interior do Paraná e que vendeu cotas a um fundo de investimentos do cunhado do banqueiro, preso na segunda fase da operação Compliance Zero por suspeita de participação em um suposto esquema de fraudes financeiras.
“[O ministro] jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, disse Toffoli em uma nota emitida por seu gabinete.
Toffoli admite ter sido sócio da Maridt Participações com os irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, que deteve cotas do resort de luxo Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR), e que seria permitido pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), desde que não exerça atos de gestão.
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Ele ainda ressaltou na nota que “a Maridt é uma empresa familiar” constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado e devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal, sendo “sempre devidamente aprovadas”.
O ministro também pontuou que deixou de fazer parte da Maridt antes de ser sorteado para relatar o caso do STF, em novembro de 2025. "Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro", disse.
Toffoli vinha mantendo silêncio sobre as apurações de diversos veículos de imprensa em relação ao envolvimento dele com o resort no interior do Paraná -- ele é apontado por funcionários como proprietário. Seus irmãos também chegaram a prestar informações dúbias sobre a participação no empreendimento, até que um deles, José Eugênio, confirmou a sociedade, mas sem citar o ministro.
A declaração contrastou com afirmações da própria esposa e cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, que afirmou desconhecer qualquer ligação do marido com o resort. Por outro lado, o outro irmão do ministro, José Carlos, limitou-se a dizer um "até logo, passar bem" ao ser abordado pelo Estadão para explicar a sociedade.








