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Não basta ter vacina

Seringas e distribuição: os outros desafios da imunização contra a Covid no Brasil

  • PorAndrea Torrente, especial para a Gazeta do Povo
  • 07/09/2020 21:13
Devo vacinar meu filho mesmo durante a pandemia?
| Foto: Bigstock

Não basta ter vacina. Os desafios da imunização contra a Covid-19 no Brasil passam também pela distribuição das doses e a produção de insumos, como seringas, agulhas e frascos. Em 20 de agosto, o Ministério da Saúde realizou uma audiência pública com as empresas fabricantes de seringas para o fornecimento de 80 milhões de itens entre fevereiro e abril do ano que vem.

A quantidade pode ser insuficiente, segundo os cálculos de Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos Médicos (Abimo), já que o Brasil pode precisar de até 400 milhões de seringas para aplicar duas doses da vacina em toda a população em 2021. Uma dose pode não ser suficiente para garantir a imunização contra o coronavírus.

“Pode ter a vacina na mão e faltar seringa na outra”, alerta Fraccaro, que pede planejamento ao governo. “Não podemos deixar para a última hora. Se você compra correndo não sabe se o fornecedor é sério, se você compra do exterior você não sabe se é o que o Brasil está acostumado a usar, se a qualidade é boa”, diz.

Durante a pandemia, vários países se queixaram pela ineficácia ou baixa qualidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) e dos kits para teste comprados às pressas. Além disso houve escassez de matéria-prima e alta nos preços.

A falta de planejamento criou outro problema no Brasil, segundo Fraccaro: o número de fábricas que produzem ventiladores mecânicos dobrou em poucas semanas e agora não há mercado para absorver a oferta. Precisa evitar que o mesmo aconteça com outros insumos.

O Brasil tem capacidade para produzir anualmente 900 milhões de seringas. A produção é concentrada em três fábricas - em Curitiba, Manaus e Ourinhos (SP). Outros 300 milhões de itens são importados todo ano para dar conta da demanda. Uma seringa custa cerca de R$ 0,50, ou seja, seriam necessários mais de R$ 200 milhões para comprar o estoque suficiente para imunizar a população brasileira contra o coronavírus em 2021.

“Essa questão de compra de insumos vai ser de acordo com a demanda. E não adianta eu falar de agulha e seringa agora se não temos nenhum produto aprovado. O foco é prudência, primando pela segurança e eficácia da vacina. Questões logísticas e de fabricação, isso tudo fica para a sequência. Precisamos primeiro saber se vale”, afirma Jorge Callado, presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), laboratório que fechou parceria com o governo de Moscou para desenvolver a chamada vacina russa.

O Ministério da Saúde não respondeu aos questionamentos da reportagem da Gazeta do Povo.

A logística da distribuição das doses

Atualmente cinco instituições brasileiras estão desenvolvendo vacinas contra a Covid: Bio-Manguinhos/Fiocruz no Rio de Janeiro, Instituto Butantan em São Paulo, Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de Santa Catarina (UFSC).

Mas isso não significa que a população desses estados será beneficiada primeiro. Todas as vacinas entrarão na fila do Ministério da Saúde. “Saiu do Rio [no caso da vacina desenvolvida pela Fiocruz], se distribui para as capitais dos estados e os estados distribuem para os municípios”, explicou Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, em coletiva de imprensa no dia 12 de agosto.

Em nota, a Bio-Manguinhos informou que antes de começar a ser distribuída, a vacina precisará aguardar o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As doses serão entregues no almoxarifado central do Ministério da Saúde, em São Paulo, "da mesma forma como faz com as outras vacinas entregues rotineiramente para o Programa Nacional de Imunizações (PNI)".

O Brasil conta com 37 mil postos de vacinação, o que deve garantir capilaridade à campanha de imunização. No caso dos municípios mais distantes, por exemplo os da região amazônica, o transporte poderá ser realizado pelas vias d’água, o que pode demorar até 14 dias, segundo o secretário.

As condições de armazenamento e transporte não devem representar um desafio logístico. A vacina de Oxford, em desenvolvimento na Bio-Manguinhos, por exemplo, precisa ser guardada em temperatura de geladeira (em torno de 4°C), o que não será um obstáculo, segundo Medeiros.

Quem vai receber a vacina primeiro

De acordo com Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, o Brasil tem expertise para ministrar 300 milhões de doses de vacinas por ano, sendo que 90 a 100 milhões deverão ser reservadas à Covid, mais ou menos o mesmo número de doses previstas para a influenza.

O Instituto Butantan deve fornecer 45 milhões de doses até dezembro e mais 15 milhões no primeiro trimestre de 2021. A previsão do instituto é produzir, ao todo, 120 milhões de doses até junho do ano que vem.

A Fiocruz informou em nota que o acordo com a AstraZeneca, detentora dos direitos de produção e comercialização da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, prevê duas etapas.

A primeira é a encomenda tecnológica que contempla o acesso a 100 milhões de doses do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para processamento final (formulação, envase, rotulagem e embalagem), das quais 15 milhões estão previstas para dezembro e o restante chegará ao longo dos dois primeiros trimestres de 2021. A segunda, em discussão, é a transferência de tecnologia, que garante total domínio tecnológico para que o instituto e o país tenham condições de produzir a vacina de forma independente.

A discussão sobre quem receberá primeiro a vacina já começou. O Ministério da Saúde ainda não estabeleceu quais serão os grupos prioritários, mas informou que eles podem ser diferentes dos da vacina da gripe. “A gente vai analisar por dados epidemiológicos da patologia da Covid-19 e não da patologia influenza. Ninguém está falando que não vai vacinar criança pela Covid, mas a gente sabe muito bem que a incidência da doença em criança é relativamente pequena”, afirmou Medeiros.

De acordo com Flávio da Fonseca, professor da UFMG, usar os mesmos critérios que os da vacina da influenza pode ser um bom caminho para beneficiar primeiro as populações mais vulneráveis como pessoas com comorbidades e profissionais da saúde. “Inevitavelmente terá uma fila de demanda e a necessidade de escalonamento de grupos populacionais que receberão a vacina antes de outros”. explica.

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