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O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta quinta-feira (19) que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), age para proteger o colega Dias Toffoli da investigação que apura a suspeita de envolvimento com as fraudes financeiras cometidas pelo liquidado Banco Master.
A crítica ocorreu minutos depois do magistrado anular a quebra de sigilos do fundo de investimentos Arleen, de propriedade do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Mais cedo, Gilmar anulou o requerimento que daria acesso a dados sigilosos do Arllen e que envolvem a negociação de cotas acionárias de um resort de luxo no interior do Paraná que teve os irmãos de Toffoli como proprietários. O próprio ministro confirmou que foi sócio dos parentes, mas negou envolvimento direto do negócio.
“O ministro Gilmar Mendes, usando o mesmo processo que ressuscitou para sequestrar uma relatoria e firmar um muro de proteção para o colega ministro Toffoli, agora anulou a quebra do sigilo do fundo Arleen, operado pela organização criminosa (banco Master) para fazer pagamentos a terceiros”, disse.
Apurações da imprensa apontaram que dois irmãos de Toffoli, José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, detinham cotas do resort Tayayá, na cidade paranaense de Ribeirão Claro, e que o ministro era tratado como real proprietário do empreendimento. A empresa da família, a Maridt Participações, teria negociado uma fatia do negócio com o fundo Arleen, ligado ao Banco Master, em 2021, e a alienação do restante à PHD Holding em fevereiro de 2025.
Alessandro Vieira citou, ainda, que a decisão de Gilmar Mendes não foi nenhuma surpresa para ele e que alertou no plenário do Senado, na véspera, para uma “ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos”.
“Para contemplar seus interesses não têm nenhum constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República. [...] O abuso constante está destruindo a credibilidade da Justiça”, disparou.
O relator da comissão seguiu na crítica afirmando que apresentará recursos contra a decisão e, até mesmo, para a instalação de uma CPI específica para investigar ministros “supostamente envolvidos no escândalo”.
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O resort Tayayá foi alçado às manchetes após a revelação de que teve irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli como sócios, mas também a participação de fundos de investimentos ligados ao Banco Master, envolto em uma investigação de crimes financeiros. O empreendimento passou a ter novo controlador no fim de 2025, quando foi assumido por Paulo Humberto Barbosa, advogado goiano que atua para a JBS, processadora de alimentos da J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Já Toffoli passou a figurar como centro das atenções e ligação com o resort após puxar para seu gabinete toda a investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master, impondo um sigilo rigoroso nos autos. Há a suspeita de conflito de interesses, já que ele viajou para Lima, no Peru, no ano passado, a convite de um empresário e na companhia de um advogado que defende um dos alvos da autoridade.












