A revolta contra a vacina chinesa
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Existe uma região cinzenta que mesmo liberais admitem, entre direito privado e interesse público, especialmente quando há "externalidades" envolvidas. Ou seja, quando o comportamento privado gera efeitos no coletivo.

O perigo é que muita coisa pode se encaixar nesse conceito. Casos mais óbvios são quanto o sujeito descuida de seu quintal e isso ajuda a proliferar mosquitos da dengue, ou quando ele resolve dirigir bêbado e isso coloca em risco terceiros.

Somente os libertários mais radicais vão alegar que o estado, em nome do interesse coletivo, não tem qualquer direito de agir preventivamente, ou seja, antes de algum crime contra terceiros de fato ocorrer.

Mas há casos mais delicados. No limite, se há saúde pública custeada pelos impostos de todos, então até o ócio, prejudicial à saúde individual, poderia ser regulado pelo argumento de interesse coletivo. Sua preguiça acaba custando mais no meu bolso. Qual o limite?

Um estado paternalista e autoritário, quiçá totalitário, que define quanto cada um deve praticar de exercício por dia, qual a dieta saudável de cada um, se podemos ou não fumar (claro que não!), e até mesmo quais livros podemos ler. Sim, pois afinal a saúde mental também importa e produz efeitos secundários na sociedade (a enorme quantidade de marxistas em pleno século 21 não me deixa mentir).

Como fica claro, algumas coisas parecem mais óbvias para justificar uma ação estatal coercitiva, outras chegam a parecer bizarras, típicas de ditaduras comunistas. A vacina provavelmente entra no meio do caminho.

Já tivemos, na época de Oswaldo Cruz, a "revolta da vacina". Em jogo, as liberdades individuais. Não é trivial, para quem nutre apreço pela autonomia do indivíduo, engolir a ideia de um agente sanitário a mando do estado ter o direito de invadir sua propriedade e lhe aplicar uma injeção. Parece algo um tanto... chinês?

Pois bem: o presidente Bolsonaro, provocado por uma apoiadora, disse que ninguém deve ser obrigado a tomar a vacina. Ela se mostrava claramente preocupada com a tal vacina chinesa, a grande aposta do governador Doria, aquele que garante que a quarentena dura até chegar a vacina. Foi o suficiente para a patota do selo azul colar, uma vez mais, o selo de obscurantista no presidente. Uma das ícones da patota escreveu:

Agora estão tratando a fala de Bolsonaro como desconfiança a qualquer vacina, e não como um legítimo receio a esta vacina chinesa feita às pressas, sendo que os "arautos da ciência" são os mesmos que demonizaram um remédio como a hidroxicloroquina, usado preventivamente há 70 anos sem maiores efeitos colaterais. Qual a lógica?

Por falar em lógica, ou falta de, eis o típico pensamento esquerdista: "meu corpo, minhas regras", na hora de triturar o bebê em gestação no útero, não importa a fase da gravidez; "questão de saúde pública", na hora de obrigar todos a injetar no corpo uma vacina chinesa feita às pressas na pandemia.

Vamos brincar de "e se"? E se Bolsonaro, em vez de reagir assim sobre a vacina chinesa, anunciasse que comprou 200 milhões de doses da vacina russa e que vai decretar que todos estão obrigados a toma-la? Como nossos "jornalistas" estariam reagindo? Chamando novamente o presidente de autoritário?

Pergunta retórica. Sabemos que essa turma da patota considera Bolsonaro uma espécie de Hitler reencarnado, enquanto trata a China com certa simpatia. Mas em nome do pragmatismo, claro. "Nosso maior comprador foi a China, que apesar disso ouviu críticas disparadas pela política externa", escreveu a jornalista Miriam Leitão em sua coluna no Globo hoje, ao analisar a queda do PIB. Então, por ser a China nosso maior parceiro comercial, não podemos mais tecer críticas ao regime opressor? Eis a tal lógica esquerdista.

O que cansa é a hipocrisia extrema. "Sejamos, antes de tudo, pacificadores", concluiu em seu texto um radical de centro que criticava o "radicalismo reacionário" de gente como eu, quem ele insinuou ser até racista só por criticar a ingratidão dos jogadores da NBA que aderiram ao Black Lives Matter. O sujeito anda deslumbrado por ser aceito na patota do selo azul e ganhar até convite para o Roda Morta. É complicado.

Por fim, acordei às cinco da matina e ainda estou tentando absorver a notícia de que o TSE usou o tal do Átila Iamarino, que previu mais de um milhão de mortos por covid só no Brasil, na estimativa bem conservadora dele, numa campanha de “informação”. Tribunal Sacana do Eleitor? Isso não é sério. E o Brasil cansa...

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