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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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A incrível falta de capacidade da esquerda em aprender com os próprios erros

A insistência asinina da esquerda nos mesmos erros do passado é algo realmente espantoso. Trata-se de uma incrível falta de capacidade em aprender com os próprios erros, lembrando que seres mais inteligentes aprendem com erros alheios. Mas nem repetindo as mesmas burradas de antes nossa esquerda aprende alguma coisa. É impressionante!

Exemplos? Vamos lá. A coluna de Andre Singer neste sábado na Folha é um primor de estupidez. Lula é resgatado como um grande líder social e sua obra só não continuou avançando por conta da reação de uma elite burguesa que deseja viver do rentismo e odeia a igualdade. Sério! O professor universitário realmente escreveu isso, que mais parece uma peça produzida por um jovem encantado com o marxismo do grêmio estudantil. Diz Singer, que só para constar, é visto como ícone da ala séria e honesta da esquerda:

O processo de mudança lenta que o lulismo abriu entre 2004 e 2010 não se acelerou o suficiente de maneira a tornar residual a modalidade de serviço que é considerada um castigo pelas camadas populares.

[…]

Para sorte da minha interpretação à época, aceitei a sugestão do jornalista Mario Sergio Conti de encerrar o texto esperançoso com a ideia de que o ritmo da redução da pobreza e da desigualdade, deflagrada pelo lulismo, seria determinada pela luta de classes. Dito e feito. Com apoio passivo da classe trabalhadora organizada, Dilma tentou efetivar o anseio rooseveltiano por meio de uma política desenvolvimentista em 2011/12. Mas foi derrotada pela reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade.

O lulismo não se revelou, até aqui, capaz de ultrapassar a exploração de brechas existentes na armação neoliberal. Em condições mundiais favoráveis, usou, com inegável habilidade, os espaços de não confronto para melhorar a vida dos pobres, o que confirma a minha tese principal. Porém o salto a um país realmente de classe média parece que ficará para outra quadra, com outra correlação de forças. 

Ou seja: esqueçam as trapalhadas do PT no governo, o populismo de Lula, sua megalomania que afundou a Petrobras na maior dívida do planeta, as “pedaladas fiscais” de Dilma, o fracasso de seus programas, a corrupção, o intervencionismo que desestruturou setores inteiros, a redução na marra das taxas de juros que produziu apenas inflação, etc. Esqueçam, enfim, todas as idiotices ideológicas feitas pelo PT nesses últimos anos e apontadas pelos liberais. O problema que enfrentamos hoje é resultado… do neoliberalismo!

Aos que alegam que Singer se trata de uma pessoa com quem se pode debater e que busca a verdade, só posso rebater o seguinte: então estamos diante de um caso assustador de burrice! Quando me deparo com tanta besteira, tanta ladainha esquerdista, de quem se nega a enxergar os mais óbvios fatos bem diante de seus olhos, prefiro sempre optar pela falta de honestidade intelectual como explicação para o fenômeno, em respeito à inteligência do outro. Ninguém pode ser tão tapado! Ou pode?

Com muito mais paciência do que eu, Mansueto Almeida respondeu às acusações esdrúxulas de Singer em seu blog. Culpar a “burguesia neoliberal rentista” pela crise atual é uma piada de muito mau gosto. Diz Mansueto:

Uma parte da “esquerda” precisar aprender que: (1) estamos pagando hoje por sucessivos erros de política econômica desde 2008/2009; (2) que o grande progresso do Brasil pós-2004 decorreu também de reformas anteriores a 2004 em conjunto com um boom impressionante nos preços de commodities, que ocasionou aumento real de 118% no preço de nossas exportações de 1999 a 2014, depois de mais de duas décadas de estagnação; (3) que o PT não tem nada parecido com um plano de desenvolvimento de longo prazo. O partido e o governo não têm um projeto para o país.

[…]

Dizer que os problemas do Brasil de hoje decorrem de uma suposta vitória da “reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade” é, na minha modesta opinião, uma grande tolice.

Difícil ser otimista com um governo, quando a “elite” do partido pensa que todos os erros de politica econômica decorrem da “reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade”. Agora vocês entendem porque há motivos de sobra para os empresários adiarem o investimento.

Não sei porque esquerda foi escrito entre aspas, mas, de fato, o esquerdista PT não tem projeto para o país; apenas projeto de poder. É o que diz um de seus fundadores também, outro que demonstra impressionante falta de capacidade de aprender com os erros: critica o PT por ser pouco esquerdista e audacioso! Falo de Chico de Oliveira, que, em entrevista hoje à Folha, elogia Brizola e ainda sonha com o socialismo:

A crise parece muito grande, mas não é. A concentração da crítica na Dilma é fogo de palha. Nem ela mesma tem o controle do partido dela. O controle ainda é do Lula. Mas Lula não é homem de partido, ele é muito personalista.

Qual sua avaliação do governo Dilma? O que ela faz de bom e de ruim?
Nem nada de muito bom nem nada de muito ruim. É um governo médio e medíocre. Ela não é responsável pelos grandes males do país nem tem solução para esses grandes males. É uma presidente fraca. Votei com convicção nela nas duas vezes e não estou decepcionado. Ela me pareceu ser mais de acordo com as minhas percepções. O governo não tem quase respostas para nada, mas não faz o programa do PSDB. É um programa quase óbvio. Vai empurrando com a barriga. Felizmente, apesar de governos fracos, a tentação autoritária não está voltando.

[…]

A direita existe mais na imprensa do que no movimento real de setores da população. A sociedade brasileira é muito diversificada e não comporta uma direita extremada. Existe uma polarização entre os muito ricos e muito pobres. Mas esses dois segmentos não fazem política.

Reajustes reais do salário mínimo, Bolsa Família não são pontos de um governo de esquerda?
Sim, comparando com outros. A ironia é que são medidas capitalistas. Moro num prédio de classe média, onde quem trabalha na portaria já tem carro. É um índice de êxito do capitalismo, até certo ponto. Só um socialista louco –como já fui; hoje sou apenas socialista– para achar que eles não melhoraram de vida. Melhoraram extraordinariamente.

[…]

A atual esquerda não tem projeto. Lula nunca teve; Dilma também não tem. O PT não sabe o que é o Brasil, não tem um projeto para o país. Está superado. Não vai acabar, mas não tem nada a dizer a respeito do desenvolvimento do Brasil. Vai empurrando com a barriga. É o partido da ordem.

[…]

Brizola é o grande político que falta no Brasil. Governou dois Estados (o RJ duas vezes). Não tem ninguém com esse perfil, com essa audácia. Falta alguém com audácia.

[…]

No longo prazo seremos mais igualitários. A democracia está ao alcance das mãos; não é um sonho utópico e é necessária. Menos para os democratas e mais para os não democratas. Quem estiver jogando jogo autoritário não vai aguentar. A burguesia brasileira é muito autoritária. Mas hoje a sociedade não aguenta mais ver a demissão de 2.000 pessoas. Ela não permite. As empresas não são mais donas absolutas do jogo econômico social e político. Têm que prestar contas à sociedade. O confronto deslocou-se do âmbito de empresas e sindicatos para a sociedade.

[…]

Eu, como um velho socialista –mais velho do que socialista–, não vejo revolução à vista. O Brasil vai engatar, vai crescer. É impossível conter 200 milhões de pessoas, cada uma querendo o melhor para si. Esse egoísmo capitalista é positivo. O socialismo é algo para além.

[…]

Petróleo ainda é o melhor negócio do mundo. A Petrobras é de 1953 e avançou. Vargas foi obrigado a se suicidar por isso. Os norte-americanos até hoje não engolem o fato de ela ser estatal, mesmo sendo um estatismo frouxo. Não engolem porque é um filé. Está abalada hoje. Há pressão para que ela seja fatiada. A burguesia brasileira quer pegar nacos. A Petrobras é um item de segurança nacional; não pode ser privatizada.

[…]

Não se desesperem, isso é sinal de que o capitalismo está se expandindo”. É isso: tudo é corrupto no capitalismo.

É ou não é um espanto? Algumas pessoas mostram como os cabelos brancos ou escassos em nada acrescentam de sabedoria. São os mesmos discursos absurdos da época da Guerra Fria, de gente que parece não ter se dado conta de que o Muro de Berlim caiu, e que simbolizou o fracasso do socialismo. O culpado de tudo é sempre o capitalismo, que é corrupto, elitista, burguês. E a solução é a velha utopia socialista e igualitária.

Um terceiro e último exemplo está no texto de José Guimarães sobre a partilha e a Petrobras, que já rebati aqui. Hoje foi a vez de Samuel Pessôa destrinchar em sua coluna, com espanto, a imensa quantidade de besteira do petista. Pessôa conclui justamente questionando como pode o PT nunca aprender com os próprios erros e sempre precisar de bodes expiatórios para seus fracassos:

Vale lembrar que quem decidiu construir Abreu e Lima, Comperj e as refinarias no Maranhão e no Ceará, que deram prejuízos até hoje de aproximadamente R$ 35 bilhões, foi o PT. Quem decidiu alterar o marco regulatório foi o PT. Quem decidiu congelar o preço da gasolina, que resultou em prejuízos de R$ 60 bilhões, foi o PT. Quem decidiu investir em média nos últimos quatro anos R$ 100 bilhões anuais, transformando a Petrobras na empresa mais endividada do mundo, apesar de a produção hoje ser 7% acima do nível de 2010, foi o PT.

Jogar a culpa dos problemas da empresa nos “esforços gigantes da oposição e de setores da mídia para depreciar a Petrobras” é atitude adolescente. O PT precisa aprender a se responsabilizar pelos seus atos. 

Um jumento é capaz de olhar mais à sua volta e aprender uma lição ou outra sobre os fatos da realidade. Essa nossa velha esquerda vai morrer abraçada ao socialismo, repetindo os mesmos chavões vazios, antiquados, sensacionalistas, enquanto a tentativa de colocá-lo em prática continuará gerando apenas mais miséria e escravidão. É muita paixão pelo equívoco!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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