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Rodrigo Constantino

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A medicina cubana é boa mesmo?

Segundo o “documentário” de Michael Moore, a medicina cubana é um espetáculo e deixaria a americana no chinelo. Sem falar do toque “humano” no atendimento, também evocado por Dilma. Não são poucos os que acreditam que Cuba tem uma medicina de ponta, o que, por uma bizarra lógica, até justificaria uma ditadura opressora com meio século de vida.

Mas será que a medicina cubana é boa mesmo? Será que podemos falar em “conquistas” nessa área ao menos, desde que os revolucionários tomaram o poder e instauraram um regime ditatorial na ilha? A colunista Cora Rónai, que esteve em Cuba recentemente, escreveu em sua coluna de hoje que a coisa não é bem assim. Há, segundo ela, dois lados dessa moeda. Ela diz:

Um dos elogios que se fazem à ditadura cubana é que ela teria, ao menos, resolvido a questão da saúde pública. Os baixos índices de mortalidade infantil e a ótima média de vida do país são excelentes e eloquentes indicadores, ainda que dependam de estatísticas governamentais, obviamente muito contestadas pelos opositores do regime. Para cada documentário produzido na ilha louvando as excelências do seu sistema de saúde, há outro, produzido em Miami, que revela uma situação calamitosa.

Não tenho confiança em nenhum dos lados.

Segundo as estatísticas, a expectativa de vida dos cubanos, de 78 anos, igual à dos americanos, é três anos superior à brasileira (75) e 14 anos superior à do Haiti (64), que fica logo ali ao lado. O índice de mortalidade infantil, por sua vez, de menos de cinco óbitos para cada mil nascimentos, seria até melhor do que o dos Estados Unidos (seis), para não falar no Brasil (15). Já segundo os médicos dissidentes, haveria sérias distorções nesses números. Uma acusação que fazem com frequência é que, ao menor sinal de complicação, as grávidas seriam forçadas a abortar, o que influenciaria, é claro, os índices de mortalidade infantil.

Em seguida, Cora lembra que comparar Cuba com o Haiti é injusto, pois Cuba já tinha bons indicadores antes mesmo de Fidel. Na verdade, Cuba era um dos países latino-americanos com os melhores indicadores sociais, algo que a propaganda esquerdista não diz, preferindo pintar uma imagem de que a ilha era apenas um bordel dos americanos (algo que, na verdade, o regime pretende transformá-la agora, para atrair os cobiçados dólares dos ianques).

Por fim, Cora passa a descrever os relatos de pessoas com quem conversou no local, e que montam um quadro bem diferente daquele vendido pelo regime e seus defensores. Faltam coisas básicas, o governo exporta médicos para obter receita em dólar e sobrecarrega os que permanecem na ilha, o sistema que oferece tudo de graça, inclusive cirurgias estéticas, não funciona direito, os mais ricos se beneficiam mais, o interior sofre, etc.

Ainda assim, acredito que Cora Rónai foi tímida nas críticas. A acusação de que Cuba é um antro de abortos para marretar o índice de mortalidade infantil, por exemplo, não é uma conspiração dos cubanos em Miami, mas um fato bastante conhecido por todos. No mais, como confiar em estatísticas de um regime fechado e ditatorial?

Fora o aspecto da escassez generalizada de equipamentos e remédios básicos nos hospitais, seria o caso de perguntar: qual a grande contribuição cubana à medicina mundial? Por que Fidel usa médicos espanhóis, e não os cubanos? Chávez, ao contrário, preferiu confiar nos médicos cubanos, e não teve bom resultado…

Recomendo a quem tiver interesse no assunto o texto do cubano exilado, Humberto Fontova, autor de dois ótimos livros, um sobre Che Guevara e outro sobre Fidel. Com inúmeros dados e fotos chocantes, Fontova derruba o mito da boa medicina cubana. São imagens fortes, e creio que um turista não teria acesso a elas visitando os hospitais de Havana.

Cora Rónai pode não ter confiança em nenhum dos dois lados, o que me soa uma postura relativista equivocada. Já eu tenho confiança em quem combate uma ditadura assassina, e não em quem defende uma. Acreditar na falácia da boa saúde em Cuba é algo que só mesmo o desejo de preservar a ideologia pode explicar. Fidel e seu socialismo conseguiram piorar o país em tudo, inclusive nessa área. Tudo que o socialismo toca, apodrece.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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