Blog / 

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Sem categoria

A única forma (petista) de governar o país

Companheiros?

Mujica virou uma espécie de guru da esquerda caviar, pois se manteve, ao menos nas aparências, fiel ao estilo de vida espartano enquanto avançava com sua agenda “progressista”. Não há nada que arranque mais suspiros de um esquerdista desses do que alguém poderoso bancar o pobretão desleixado contra o “sistema”. Mas o assunto aqui não é Mujica, e sim o que ele disse em seu livro sobre Lula. Segundo o ex-presidente do Uruguai, Lula teria lhe confessado que o mensalão era “a única forma de governar o país”.

Haveria, ainda, outra testemunha no local. E então: a palavra do ex-presidente esquerdista conta ou não? Trata-se de mais uma evidência, entre tantas, de que Lula obviamente sabia do mensalão. Não só sabia, como aprovava. Afinal, como o próprio ex-presidente brasileiro já disse, é necessário fazer acordo até com Judas para governar o Brasil. O projeto da quadrilha dos mensaleiros, portanto, contava com o aval de Lula, ao que tudo indica. Era esta a única forma de governar o país: comprar todo o Congresso.

Mas era mesmo? Claro que não! Existe outra forma, alternativa, mais republicana, chamada negociação, concessão, contemporização. Às vezes será chata, não permitirá o avanço de um partido único, obrigará o governo a ceder. Às vezes vai ficar evidente o uso do toma-lá-dá-cá, nem tão republicano assim. Mas é o que chamamos política. Faz parte do mundo real. Partidos e políticos com diferentes inclinações ideológicas precisam chegar a um acordo, alguns terão de engolir projetos que não gostam para emplacar outros em que acreditam mais.

O que o PT não gosta, portanto, é da própria política, da democracia, das negociações. É um partido, afinal, nascido da mentalidade totalitária, que considerava essa “democracia burguesa” uma “farsa”, um instrumento de opressão dissimulada das “elites”. Para os petistas, a única forma de governar o país é comprar os deputados, é não ter oposição, é desqualificar o oponente, tratado como inimigo mortal. O mensalão era a forma petista de “governar”.

O PT em particular e a esquerda brasileira em geral empobrecem o debate e ameaçam a democracia, justamente porque não aceitam conviver com o contraditório, não entendem que, na vida, não podemos ter tudo, pois precisamos contemporizar com quem discorda de nós, ao menos se desejamos preservar a democracia plural e a tolerância. Mentes totalitárias não pensam assim, pois precisam abolir, exterminar o diferente. Marxistas sempre falaram em acabar com a oposição, pois nunca foram democratas.

Em sua coluna de hoje, Reinaldo Azevedo fala dessa postura das nossas esquerdas, usando o caso da indicação de Fachin como pano de fundo. Não há debate calcado em argumentos; apenas o uso de rótulos como “reacionário” para tentar intimidar e calar o oponente. É a morte da política. É o mesmo princípio por trás do mensalão: os “nobres” fins justificam os nefastos meios. Diz Reinaldo:

É preciso debater o que pensa Fachin. Cadê? Quando foi que começamos a substituir o debate por “likes” e “memes”? A ficar dependentes de bandidos para nos dividir ou nos juntar? A trocar a política pela polícia? A cultivar um ódio displicente pelas convicções? O que foi feito, em suma, do prazer da política, especialmente na imprensa, ou no pouco que dela restou imune àquela inflexão militante das redes (anti)sociais?

[…]

Esquerdistas me acusarem de reacionário por revelar o pensamento do candidato sugere que apontei um defeito que queriam esconder. Ora, mas eles não defendem o doutor justamente em razão dos predicados que repudio? Ocorre que essa turma quer xingar e calar vozes contrárias, não debater.

[…]

Homens desonestos podem ter ideias honestas. Homens honestos podem ter ideias desonestas. Os senadores não estão escolhendo os respectivos maridos de suas filhas, mas uma forma de entender o ordenamento social e jurídico. Quando as esquerdas fizerem a revolução, que Fachin seja ministro, ora! Enquanto não, não! 

Ou seja, a esquerda quer fazer sua revolução, mas não quer assumir que é revolucionária. Quer um militante do MST no STF, mas não quer que os outros mostrem sua militância em defesa de invasores de terras que não respeitam as leis. Não querem política; querem totalitarismo, e que aqueles que discordam fiquem bem caladinhos, pois não têm direito de chamar as coisas por seus nomes!

Se esses estiverem na política, então que sejam comprados com uma mesada paga com recursos públicos, de estatais. É a “única forma de governar esse país”. A única forma petista, sem dúvida!

Rodrigo Constantino

8 recomendações para você

Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

Saiba Mais

Arquivos