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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Até quando vão tratar o PT como um agente legítimo que joga limpo no campo das ideias?

É um espanto! Qualquer um com um pingo de honestidade intelectual e capacidade cognitiva já sabe que o PT não é como os demais partidos, que sequer é um partido político, e sim uma seita ideológica ou uma quadrilha organizada. Os petistas já deram todos os sinais de que não aceitam a democracia, as regras do jogo, as leis, e que se julgam acima disso tudo na busca de seu projeto totalitário de poder.

Mas pasmem! Ainda há quem tente forçar a barra para colocar o PT como apenas mais um agente legítimo no debate de ideias democrático do país. É o caso de Celso Rocha de Barros na Folha hoje, tratando o PT como “mais um”, sendo que sequer consegue esconder sua simpatia pela turma petista. Diz ele:

Para quem acompanhou a história de lutas do PT e os excelentes resultados de seus governos na área social, é melancólico assistir à conversão da candidatura Lula em possível tábua de salvação da classe política acusada na Lava Jato. Se isso acontecer, a candidatura Lula será um perfeito equivalente funcional do impeachment de Dilma Rousseff e será apoiada mais ou menos abertamente por todo mundo que bancou o impeachment sabendo o que estava fazendo.

Por outro lado, é difícil negar que o Partido da Justiça foi, no mínimo, complacente, e, com toda probabilidade, participante, na transformação da Operação Lava Jato em arma política da direita contra Dilma Rousseff em 2016.

[…]

Para além dos fatores estruturais, há também uma dimensão no embate entre Lula e Moro em que caráter talvez tenha sido destino. Se Lula fosse o tipo de sujeito que aceita o martírio político para quebrar o sistema político corrupto brasileiro em 2003, não seria o tipo de sujeito que governou moderadamente beneficiando milhões de brasileiros pobres. Se Moro fosse mais capaz de pensar em consequências políticas, talvez não tivesse sido firme na condução de uma investigação que quebrou o sistema político ao meio.

Lula teria sido um juiz complacente e Moro, um presidente inábil. Mas é impossível dissociar os defeitos das qualidades em ambos os personagens. É o tipo de conflito de personalidades que pode gerar bons romances históricos.

É ou não um caso de hospício? Assumindo a premissa agressiva da honestidade intelectual, claro, só resta essa opção. O autor é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, o que comprova como o curso de Humanas pode destruir um cérebro. Lula como alguém que ajudou milhões de brasileiros, que fez muito pelo social? O maior responsável pela destruição de 14 milhões de empregos, da volta da inflação, da pior recessão de nossa história?

O autor adota toda a narrativa canalha da esquerda petista, inclusive ao chamar a Lava Jato de instrumento da direita, como se fosse um confronto político entre esquerda e direita, e não um ajuste de contas entre Justiça e bandidos – de todas as cores ideológicas.

Bruno Garschagen, em artigo na Gazeta do Povo hoje, busca na história francesa inspiração para explicar como não se pode esperar nada do PT além dessa postura antidemocrática, radical e revolucionária, criminosa e golpista. Diz o cientista político:

Na quarta-feira, Curitiba verá ao vivo e a cores um espetáculo de degradação política – e sentirá o cheiro de enxofre. O ex-presidente Lula prestará depoimento ao juiz federal Sergio Moro. Terá de responder às acusações de haver recebido R$ 3,7 milhões de propinas da empreiteira OAS. O depoimento, por si só, já será um evento simbólico no âmbito das investigações da Lava Jato. Tem mais, porém.

Aquilo que atribuirá certa dramaticidade à coisa será a caravana dos aflitos organizada pelo PT. O partido, cuja elite está presa ou sob investigação da Lava Jato, ameaça invadir Curitiba com seus milicianos para pressionar os juízes federais e os procuradores que cuidam da operação. Vão aproveitar o episódio para tentar converter Lula naquilo que ele não é: o mártir da classe trabalhadora.

A greve não geral compulsória de 28 de abril, a que faltou tanta gente que, se faltasse mais, não iria caber (obrigado, Macedonio Fernández), confirmou a perda de apoio popular do PT e de seus milicianos. A sociedade brasileira mostrou que trabalhar era um protesto mais eficiente que atrapalhar quem precisa de trabalho.

[…]

A postura ofensiva de Carvalho faz parte da natureza do PT. Sempre foi assim, sempre será. Ainda na prisão, José Dirceu, o Antonio Gramsci dos trópicos, escreveu uma carta que ratifica o vínculo entre ideologia e prática política socialista. “Na prisão ou em liberdade, sou um militante político e sempre serei”, afirmou.

[…]

Não sejamos ingênuos, portanto, quanto ao uso político do depoimento de Lula em Curitiba. Porque, em relação aos petistas, aplica-se a frase do diplomata francês Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord a respeito dos Bourbon que, sob o governo de Luís XVIII, perseguiram os inimigos que depuseram a monarquia já restabelecida: “Não aprenderam nada, não esqueceram nada”.

Mesmo Ricardo Noblat, que se encontra no meio do caminho entre o sociólogo de esquerda e o cientista político conservador, por fazer concessões demais ao passado de Lula e do PT, como se fosse algo belo, reconhece que nada sobrou de Lula além da tentativa descarada de safar a própria pele, que esse Lula bandido é que está sendo julgado pela Lava Jato:

Eike Batista está pronto para delatar Lula. Mas Antonio Palocci deverá fazê-lo antes. Na semana passada foi Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que delatou o ex-presidente.

Nas anteriores, Léo Pinheiro, sócio da OAS, e João Santana, o marqueteiro da campanha de Lula à reeleição em 2006 e das campanhas de Dilma em 2010 e 2014.

Apesar disso, Lula se exibe por aí como vítima de uma suposta conspiração.

[…]

Lula era o chefe, contou o ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que a pedido dele tentou subornar Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, para que não delatasse.

Lula era o chefe, e Palocci o administrador de suas propinas, disseram Emílio e Marcelo Odebrecht.

Sem a participação direta de Lula, nada do que hoje se conhece poderia ter acontecido, escreveu Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República.

Como teria sido possível a toda essa gente presa em Curitiba, em casa ou ainda solta, combinar relatos que se encaixam quase à perfeição e forjar provas sabendo que a mentira lhe custará mais dolorosos anos de cadeia?

[…]

Em julgamento está aquele que cooptou e foi cooptado pelas elites criminosas, chegou ao poder como a alma mais honesta do país, e uma vez lá, valeu-se de recursos ilícitos para governar e enriquecer.

Diante de todos os fatos que já se tem conhecimento, como alguém pode tratar Lula e o PT como agentes legítimos no debate de ideias de nossa democracia? Não dá! Simplesmente é impossível. O PT já cansou de demonstrar não ter apreço algum pela democracia, pelas regras do jogo, pelo próprio debate civilizado de ideias, com suas discordâncias legítimas.

O PT não é um partido legítimo, e os petistas não são representantes de uma esquerda que merece ter sua participação no debate de ideias no país. O PT é uma organização criminosa com um perigoso manto ideológico, e Lula é o chefe dessa turma. O único destino aceitável numa democracia para o PT é a extinção da sigla, e o único destino aceitável para Lula é a cadeia. A menos, claro, que ele prefira arriscar ter o destino de Mussolini…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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