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Rodrigo Constantino

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Bolsonaro deveria transferir presidência para Mourão até se recuperar

Todos queremos a plena recuperação do presidente Jair Bolsonaro. Ou melhor: quase todos. Existem aqueles com espírito de porco, a turma do “ódio do bem”, que prega tolerância, pluralismo e amor enquanto destila preconceito e ódio contra todos mais à direita. A esses, Lucas Berlanza, do Instituto Liberal, mandou um recadinho:

Faço votos de que o presidente Bolsonaro se recupere logo de seu quadro de pneumonia (felizmente leve, de acordo com os médicos). Quem está torcendo pelo seu mal não apenas se comporta como verme moral como demonstra absoluto desapreço pelo país, porque não dá a mínima para o caos total em que o país mergulharia na eventualidade de acontecer um desenlace fatal ao presidente neste momento.

A recuperação de Bolsonaro é fundamental para que o governo continue com sua agenda reformista. Até porque, como já vimos, o vice-presidente escolhido, Hamilton Mourão, anda dando muitas escorregadas. A última delas foi crer que poderia “dialogar” com o presidente da CUT sobre a reforma previdenciária. Eu só me encontraria com Vargas sob escolta policial e com minha carteira bem longe.

Mas as críticas que muitos têm feito ao vice não justifica uma insistência de Bolsonaro em assumir o comando sem condições. Ele não confia em Mourão? Então por que o escolheu como vice? Ele endossa as gravíssimas acusações feitas por seu “guru” Olavo de Carvalho, que falou em conspiração e golpe, e que foi elogiado dias depois por dois filhos do presidente?

São coisas muito sérias e graves, que exigem esclarecimentos. Se Jair pensa mesmo que Mourão está conspirando contra seu governo, isso precisa se tornar público, e ele deve explicações sobre sua escolha equivocada. Trump, sempre que alguém do seu governo faz alguma besteira, diz que foi traído e acusa a pessoa de incompetência. Mas o incompetente não seria ele ao escolher tanta gente ruim em primeiro lugar?

O historiador Marco Antonio Villa fez um comentário sobre essa situação, lembrando que estamos numa República, não numa monarquia, e que o papel do vice é justamente assumir o governo nessas ocasiões:

Posso não gostar muito de certas coisas que Mourão tem dito e feito, mas não é por isso que vou aplaudir um presidente numa cama de hospital, com pneumonia, tendo que se recuperar de uma cirurgia complexa, despachando com um gabinete temporário e sob auxílio de um filho que é vereador do Rio, nada mais. Isso é errado, simples assim.

Carlos Bolsonaro já fez acusações graves em seu Twitter, e falou até em gente no governo que gostaria de ver seu pai morto. São denúncias muito sérias, sem provas. Entende-se o filho dedicado, tão dedicado a ponto de imprimir seu pai na pele, achar que está protegendo o “mito” dessa forma. Mas o que está fazendo é avacalhar com as instituições republicanas.

Bolsonaro foi eleito, com um vice na chapa. Está no hospital, precisa se recuperar, não tem condições de governar. Que passe o comando temporariamente a Mourão, e que esse seja cobrado por todos os eleitores para que não desvie da rota definida na campanha.

O presidente, diga-se, também precisa ser cobrado, sempre, pois há deslizes dele também, como a manutenção da EBC estatal com uma TV pública, ignorando promessa de campanha. Não elegemos um rei absolutista com sua prole tendo poderes arbitrários. Elegemos um presidente, um vice-presidente, e um governo sob limites legais e constitucionais que precisam ser respeitados.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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