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Rodrigo Constantino

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Bolsonaro, as fake news da Folha e o papel da imprensa numa sociedade livre

Jair Bolsonaro foi atacado sistematicamente, de forma injusta, pela imprensa brasileira. O viés de esquerda da imensa maioria dos jornalistas ficou evidente nas manchetes, reportagens e colunas. Não adiantou e o capitão de direita foi eleito presidente. Agora, Bolsonaro demonstra certa sede de vingança. Em seu primeiro discurso como presidente eleito, alfinetou os veículos de comunicação que o difamaram e perseguiram. E ameaçou cortar verbas públicas do jornal Folha de SP por suas “fake news”.

Mas tal postura não é a mais republicana. Que Bolsonaro foi mesmo alvo de ataques chulos e ideológicos não resta a menor dúvida. Ele tem todo direito de se sentir incomodado, injustiçado e até indignado, desejando retaliar quem fez de tudo para que fosse derrotado. Só que a presidência é uma instituição da República e não deve ser utilizada para fins pessoais. A relação promíscua entre governo e imprensa no Brasil é o grande problema, que abre espaço para esse tipo de coisa.

Bolsonaro, durante a campanha, tinha desafiado o grupo GLOBO, alegando que recebiam mais verba pública do que sua audiência justificava, e que num eventual governo seu a coisa seria revista e proporcional. Até aí, menos mal. Mas, novamente, quando há muita verba estatal envolvida, temos esse risco de uso político para chancelar veículos “amigos” e punir os “inimigos”. O PT fez muito isso, como sabemos. Não devemos aplaudir se a direita fizer o mesmo, com sinal trocado.

Alexandre Borges comentou em seu Twitter: “O erro começa quando jornal depende de governo (propaganda e empréstimos) para sobreviver. Proíbam propaganda estatal, acabem com o BNDES e façam jornais viverem de leitores, será bom para ambos e para a democracia”. Eis aí o caminho ideal do ponto de vista de um liberal republicano.

Carlos Andreazza, que tem sido crítico de Bolsonaro, também condenou qualquer uso do estado para intimidar a imprensa: ““(…) no que depender de mim, imprensa que se comportar dessa maneira indigna não terá recursos do governo federal”. A fala de Bolsonaro, presidente eleito, sobre a Folha, é inaceitável. Não gostou de algo, vá à Justiça. Reagir usando dinheiro público é que não dá”.

Fernando Holiday, do MBL, foi na mesma linha: “Vendo o JN penso que o Presidente tem de ter cuidado com as declarações, por exemplo, me pareceu que ele pretende retirar verbas da porque foi alvo de mentiras em alguns casos. Mas nenhuma mídia deveria se manter às custas do governo e não só a que o presidente considera fake”.

Podemos compreender a revolta de Bolsonaro. Sabemos como a mídia mainstream distorce tudo contra ele, contra a direita em geral. Flávio Gordon resumiu com ironia como são produzidas as reportagens: “Como surgem as matérias da Folha de S. Paulo? 1) Jornalista “ele não” de cabelo roxo chega na redação com olhos inchados; 2) Numa catarse coletiva com seus colegas, xinga muito Bolsonaro de X e Y; 3) Publica matéria com a manchete: “Internautas dizem que Bolsonaro é X e Y”. Fim”.

Ainda assim, a postura de Bolsonaro deve estar acima desse desejo por vingança. Usar o peso financeiro para enquadrar jornalistas do ponto de vista ideológico é um perigo. Se a direita fizer, perde a moral para condenar a esquerda, que sempre fez. O ideal, repito, é afastar governo de imprensa, reduzir as verbas públicas, e adotar um critério objetivo e republicano para as existentes.

Que Bolsonaro tenha a grandeza de não se rebaixar às práticas petistas. A Folha está cada vez mais desacreditada por suas mentiras. Mas não é por isso que deve ter verba estatal cortada. Quem discordar porque, afinal, estamos em uma guerra cultural contra a esquerda, deve entender que, numa guerra de vale tudo, a verdade costuma ser a primeira vítima. A guerra é contra o abuso de poder estatal sobre a imprensa, não contra o abuso da esquerda sobre a mídia.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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