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Rodrigo Constantino

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Carluxo e Olavo: a arte de fazer lambança e depois sair pela tangente

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As duas maiores influências ideológicas do governo Bolsonaro são, sem dúvida, Carlos, o filho do presidente, e Olavo de Carvalho, seu guru. Um controla a militância virtual raivosa, pronta para xingar qualquer um que ouse discordar uma vírgula da seita, e o outro prepara a narrativa por trás dos ataques, lançando o osso para os chacais babões.

Os dois, juntos, conseguiram criar a maior balbúrdia, para usar termo da moda. Atacaram todos aqueles em torno do presidente, inclusive gente de sua confiança, como o vice-presidente Mourão, o ministro Santos Cruz e outros. Criaram também um clima permanente de guerra com a imprensa em geral e até com vários formadores de opinião da direita.

A estratégia evidente de ambos é a cizânia, o confronto, o combate. Dividir para conquistar. Destruir antes de construir, até porque nunca souberam construir nada. Falar em alunos prontos para a defesa da alta cultura após cursos de Olavo chega a ser uma piada: os bons alunos logo se mandaram ao perceber a farsa, permanecendo apenas bajuladores que se apagam diante da sombra do mestre. Xingar tudo e todos não pode ser jamais confundido com defesa da alta cultura.

Pois bem: com essa postura destrutiva, agressiva, os dois tumultuaram o governo, geraram desconfiança generalizada com suas paranóias, espalharam teses conspiratórias e se colocaram como os únicos reais defensores de Bolsonaro e do Brasil. E conseguiram, assim, afastar várias pessoas sérias do governo, jogar para a oposição muitos liberais e conservadores, e despertar a fúria dos militares dentro do governo.

Não obstante toda essa confusão causada pelos dois, eis que agora ambos resolveram “lavar as mãos” e se afastar da lambança que deixaram para trás. As áreas que mais geraram confusão para o governo Bolsonaro foram justamente aquelas que Olavo de Carvalho exerceu maior influência, indicando ministros. Mas deve ser só uma coincidência, claro. E o “filósofo” disse, numa entrevista, que vai agora se afastar da política, parar de fazer comentários, não vai mais se meter nesses assuntos. Será?

Enquanto isso, Carluxo postou esse comentário:

Lembro que não faço parte do governo e não pleiteio poder. Como qualquer um, apenas demonstro minhas opiniões e liberdade de expressão, mesmo que muitos tentem misturar as coisas propositalmente. O Presidente é o Presidente e eu sou apenas seu filho e não um influenciador.

Tirando o corpo fora agora?! Mas quem escreve na conta oficial do presidente, afinal? Michele Prado comentou: “Fritando ministro publicamente, aliados, fazendo da conta do Presidente da República o seu playground, criando conflitos desnecessários, mas aí quando dá merda diz que não foi você quem fez. Tá parecendo esquerdistas que não assumem as responsabilidades pelos próprios atos”.

Julio Severo também comentou: “O super-ministro invisível que não admite publicamente que tem mais poder do que todos os outros ministros, porque tem o privilégio incomparável de pegar carona no status presidencial do pai”.

Mas como Olavo e Carluxo criaram seitas em torno deles, muitos continuam defendendo suas condutas não importa o que aconteça. Enzo Martins fez uma boa análise do modus operandi do “filósofo”:

Olavo não está fazendo nada de novo. Ele só escolheu alvos mais importantes agora, mas já dava pra ver sua podridão moral quando ele detonava seguidores e ex-alunos por qualquer crítica que fizessem contra ele. Ele sempre induziu um comportamento de seita entre seus alunos, inibindo qualquer tipo de crítica e incentivando linchamentos virtuais.

É normal que um membro da seita demore a perceber a monstruosidade do sujeito, afinal ele sempre tenta se fazer de vítima. Mas na 1392137a vez que ele arruma uma treta com algum “inimigo interno” da direita, deveriam começar a desconfiar que talvez o problema seja ele.

A real é: até mesmo quando fiéis seguidores do Olavo fazem pequenas críticas ao comportamento dele, ele reage desproporcionalmente humilhando a pessoa, inventando apelidos, xingando, etc. Alguns topam engolir sapo e voltam a ser aceitos na seita. Os que não aceitam vender a alma, viram “persona non grata”, e aí passam a ser atacados frequentemente pelo proprio Olavo e pelos demais membros da seita. Eu já vi esse processo acontecer incontáveis vezes.

Outra tática conhecida do guru dos Bolsonaro é a dialética marxista. Ele “nunca erra”, está “sempre com a razão”, pois defende pontos contraditórios simultaneamente. Dá uma no cravo e outra na ferradura. Aprendeu isso no marxismo e na astrologia de horóscopo. É assim que se coloca como a principal causa da vitória de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que se torna o maior crítico do governo. Se der certo é mérito seu, se fracassar, ele avisou. No meu dicionário isso se chama picaretagem.

Janaina Paschoal, que pediu ao presidente para parar de escutar seus filhos e seu guru, já chamou certos bolsonaristas de petistas com sinal trocado. E é isso mesmo. Os olavetes adotam métodos muito parecidos, partem para o assassinato de reputação, tentam intimidar, espalham discórdia e brigas, e depois ainda bancam as vítimas.

Em suma, os dois foram os maiores responsáveis por espalhar o caos, plantando vento para colher tempestade, e bolsonaristas ainda chamam seus críticos de “corneteiros do fracasso”, como se alertar para o perigo dessa postura fosse desejar o pior. É o contrário! Esses críticos estavam vendo justamente a coisa degringolando por conta dessa mentalidade tribal de guerra. A quem interessa o caos? Alexandre Borges tocou nesse ponto:

Carluxo e Olavo prejudicaram muito o governo de Bolsonaro ao impedir qualquer união em prol de uma agenda comum. E agora se afastam de forma estratégica e covarde, como se não tivessem nada com isso. Bom, se o presidente realmente se afastar deles e mudar de postura, ainda há tempo para salvar seu governo. Mas alguém acredita mesmo que os dois vão sumir ou que o presidente vai ignora-los?

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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