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Rodrigo Constantino

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Como o PT dilapidou os recursos dos brasileiros

Por João Luiz Mauad, publicado pelo Instituto Liberal

O governo da Venezuela, que nega estar em crise, deixou de pagar R$ 901 milhões referentes a uma parcela vencida em janeiro de empréstimo feito pelo BNDES.

Com isso, o banco público acionou o Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para ressarcir a parcela não paga. Na prática, quem assume o prejuízo até que a ditadura de Nicolás Maduro pague o que deve é o governo brasileiro – ou seja, todos nós, contribuintes.

Ao todo, a Venezuela deve ao BNDES R$ 3,15 bilhões. Desse montante, R$ 2,36 bilhões referem-se a obras de empreiteiras brasileiras, mais de 90% delas tocadas por empresas envolvidas na Lava Jato.”

Depois de Moçambique, mais um calote de governo amigo (do Lula) que será pago pelos pagadores de impostos, via Tesouro Nacional. Esses negócios do BNDES, se já eram ruins caso fossem devidamente honrados pelos devedores, com calote tornam-se verdadeiros despautérios.

Aliás, reparem como a coisa é absurda: os governos petistas conseguiram criar uma nova espécie de negócio, o empréstimo jabuticaba, em que o contribuinte brasileiro é, ao mesmo tempo, credor e fiador.  Só em Pindorama!

Mas não pense o estimado leitor que o absurdo acaba aqui, pois há mais: por incrível que pareça, mesmo com o calote e a cobrança de juros reais negativos (abaixo do índice de inflação), esse empréstimo será contabilizado como lucrativo pelo BNDES, inclusive para efeito de pagamento de bonificações e participações aos administradores e funcionários. Do ponto de vista (contábil) do banco, não há inadimplência do devedor, graças ao tal FGE.

Mas vamos recapitular, para quem já esqueceu, como se deu a tungada do dinheiro alheio ao longo de sucessivos governos petistas, principalmente durante os mandatos da presidente Dilma.

Estão registradas, nos balanços do BNDES, de 2008 a 2015, transferências do Tesouro Nacional de algo próximo de R$ 520 bilhões para o caixa daquele banco, além das verbas provenientes do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que são a fonte constitucional de recursos para o BNDES. Para se ter uma ideia da grandeza desse número, ele representa cerca de 8% do PIB (2017) ou 40% da arrecadação anual de impostos federais.

Pelos recursos, o governo cobrava do BNDES juros de 5% ao ano, enquanto, para captá-los no mercado, pagava, em média, 13% (nos últimos anos). Em outras palavras, o custo de carregamento desses “empréstimos”, que fizeram a alegria dos grandes empresários tupiniquins durante anos a fio, era de aproximadamente R$ 35 bilhões nos últimos anos da festa, valor superior ao orçamento atual do Programa Bolsa Família (R$ 29 bilhões em 2018).

A justificativa do governo para a concessão desses empréstimos às nações amigas (do PT) é de que eles permitem que as empresas nacionais exportem mais, gerando mais empregos e mais renda no país.  Bobagem!

Como já expliquei em outro texto, tal argumento é falso como uma nota de 3 reais, porque desconsidera os custos de oportunidade e o uso alternativo dos recursos desembolsados pelo BNDES. Tais recursos poderiam, por exemplo, ser utilizados para financiar investimentos dentro do Brasil – e não em países bolivarianos amigos, o que certamente geraria mais empregos domésticos. E, caso o governo não tomasse esses recursos do setor privado, seja através de impostos ou emissão de títulos públicos, eles seriam utilizados em outros projetos, muito provavelmente mais eficazes do ponto de vista econômico,  já que baseados em parâmetros de preço e lucro, e não em decisões político-ideológicas.

Enfim, sob quaisquer ângulos que se olhe, esses empréstimos foram um verdadeiro descalabro, um assalto disfarçado ao bolso dos brasileiros.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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