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Rodrigo Constantino

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É inaceitável o ataque mentiroso de Bolsonaro ao jornalista Merval Pereira

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Eu também acho o viés da Globo escancarado e absurdo, como, aliás, o de quase toda imprensa brasileira. Eu acho que tem muito militante e torcedor disfarçado de jornalista. Eu aponto isso há anos, desde quando Bolsonaro votava com o PT contra as reformas importantes para o Brasil.

Mas nada – absolutamente NADA justifica passar pano no que fez o presidente contra o jornalista Merval Pereira. Você pode não gostar dele, pode achar o máximo reagir a essa “extrema-imprensa”, mas eis a hora de separar quem tem apreço por princípios e a liberdade de imprensa e quem, no fundo, gosta dos métodos autoritários, condenando os outros apenas por hipocrisia por não ser o “seu” tirano populista.

O presidente espalhou uma FAKE NEWS, alegando que o jornalista recebeu R$ 375 mil por uma palestra, mensagem que foi compartilhada por seu filho, que pretende ser embaixador nos Estados Unidos, repetindo a falácia de que o valor se referia a uma palestra:

O jornalista dedicou sua coluna de hoje para colocar os pingos nos is e explicar onde o presidente e sua família mentem, numa tentativa de calar quem critica seu governo, intimidar, cometer assassinato de reputação:

Em março de 2016, eu e diversos outros jornalistas e economistas fomos contratados para participar do Mapa Estratégico do Comércio, da Fecomércio do Rio. O projeto previa 15 palestras em diversas cidades do Estado do Rio, analisando as perspectivas políticas e econômicas naquele ano de eleições municipais. Os R$ 375 mil de que fala o presidente, portanto, não se referem a uma palestra, mas às 15 previstas para os anos de 2016 e 2017.

Na verdade, não recebi esse total, pois o programa foi interrompido, e acabei dando 13 palestras, que foram noticiadas nos jornais locais, em informes publicitários da Fecomércio do Rio, em sites, e filmadas. As palestras eram abertas a representantes do comércio, da indústria, da educação, políticos locais, estudantes.

Foram as seguintes as cidades das palestras: Angra dos Reis (30/3/2016); Miguel Pereira (14/4); Três Rios (28/4);Volta Redonda (5/5/); Barra do Pirai (19/5); Teresópolis (16/6); Valença (9/6); Barra Mansa (14/7); Rio das Ostras (28/7) Petrópolis (11/8); Rio de Janeiro (7/12/); Cabo Frio (16/3/2017); Niterói (25/5/2017).

Cada palestra teve a respectiva nota fiscal, incluindo os impostos devidos, e foi declarada no meu Imposto de Renda. Taokei?

Não é crime fazer palestra na Fecomércio. O valor de cada uma, R$ 25 mil, está dentro do valor de mercado. Conheço jornalistas ou economistas que cobram mais e outros que cobram menos. Merval tem bastante reputação, pertence à ABL, é conhecido pela televisão, ou seja, não há nada de absurdo no valor em si.

Diante da exposição da MENTIRA disseminada pelo presidente e seu filho, muitos bolsonaristas passadores de pano disseram que não importa se foi por um ou por 15 palestras. Sério?! Não importa se o presidente inflou o valor em quinze vezes para dar a entender que houve algum esquema, alguma sacanagem?!

Confesso que fiquei horrorizado com bolsonaristas passando pano no que fez o presidente contra Merval, um jornalista sério. Ah, ele “só” aumentou por 15 o valor da palestra! Caramba! É um presidente insinuando que o jornalista é um vendido, porque não aceita críticas. Acham mesmo que Merval, que sempre criticou vários governos, se vendeu e por isso critica Bolsonaro? Acham mesmo que na guerra contra a “extrema imprensa” vale tudo?!

Entendo a raiva do presidente por ser atacado com forte viés pela mídia, mas essa reação, por mais passional que seja, é inaceitável e incompatível com uma democracia saudável. Não dá para apaludir essa postura por raiva da mídia. Perderam o tom (e o juízo)…

Há recurso público no sistema S, então é corrupção dar palestra para a Fecomércio cobrando valor de mercado? Sabe quem viveu a vida toda só mamando em recurso público e sem fazer nada que preste, ou melhor, votando com o PT contra as reformas importantes? Sim, ele mesmo, o “mito” que ainda emplacou os três filhos na vida política e agora quer colocar um na embaixada americana!

Já tem minion chamando palestras a valor de mercado na Fecomércio de “mensalão da imprensa”. Essa gente não é só irresponsável: é podre! Se o problema é a existência de algum recurso público, direto ou indireto, então ninguém mais pode aceitar evento ligado ao governo, aos sindicatos, ou pegar financiamento na Caixa, no Banco do Brasil ou no BNDES! Olha o nível dessa gente!

Um deles, que chamou a palestra de “mensalão”, ainda tentou ironizar os liberais que condenaram o presidente, pois estariam defendendo o Sistema S em si. Não! Por mim devemos fechar o BNDES, privatizar a Caixa e o BB e acabar com o Sistema S. Paulo Guedes já defendeu coisa parecida. Sabem quem não quer ou vai mexer nisso? Sim, o presidente Bolsonaro! E é absurdo enquanto existir esse modelo chamar de vendido quem quer que faça uma palestra para a Fecomércio.

Sejamos claros: trata-se de uma reação, uma vingança pessoal do presidente, pois ele não gosta da imprensa (e tem boas razões para tanto). Mas não podemos aceitar isso. Se, por vingança pessoal, o presidente mandasse um exército de cem fiscais para a Globo, num país em que tantas normas e leis arbitrárias tornam empresários reféns do governo, ia ter um monte de minion apalaudindo. Sabe quem pensava e agia assim? Chávez!

Agora muitos estão revoltados com e questionando o valor de mercado da palestra, mesmo após a correção dos fatos: “como pode 25 mil por uma hora de fala num país com tanto pobre?”. Ora bolas! E como pode milhões para chutar uma bola?! Como pode milhares para cantar músicas?! Não são mais petistas de sinal trocado. São petistas mesmo! Condenam o valor de mercado das coisas!

E a reação de muitos só prova que o bolsonarismo é movido pelo ressentimento, pelo ódio. E nada bom se constrói assim.

Por fim, fiz uma enquete com a minha base de seguidores no Twitter para testar, perguntando: Se a Fecomércio pagasse R$ 25 mil por palestra para Olavo de Carvalho, isso seria: um absurdo, normal, ou irado, já que ele merece? METADE respondeu que seria normal ou irado, e só a outra metade condenou como um absurdo. Para muitos, como fica claro, o problema não é a Fecomércio, o valor da palestra em si, ou nada parecido, mas sim quem recebeu pela palestra. Se for um dos “nossos”, então a tribo vibra. O tribalismo é a morte dos princípios impessoais…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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