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Rodrigo Constantino

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Educação no Brasil: sim, doutor, você é coautor do caos

Por Juliano Oliveira, publicado pelo Instituto Liberal

Não tenho certeza se os brasileiros (em especial os jovens) já entenderam o que se passa no Brasil atualmente. Estamos caminhado a passos largos em direção a um processo de cubanização do trabalho no Brasil.

Em Cuba, não obstante ativistas admiradores de Fidel e de Raul digam o contrário, o mercado de trabalho é extremamente restrito e são raras as oportunidades para graduados que desejam atuar em sua área de formação. No Brasil, a exemplo do que ocorre no feudo dos irmãos Castro, doutores já estão sendo forçados a fazer bicos em busca de recursos financeiros que lhes possibilitem o próprio sustento. Tudo isto é o resultado de políticas econômicas desastrosas que, perpetradas pelo pedantismo petista, minaram as esperanças dos jovens brasileiros.

A crença num estado provedor, que cuidaria de seus cidadãos do berço ao túmulo fez muitos brasileiros apostarem no modelo desenvolvimentista como solução para todas as suas aflições. Paradoxalmente, porém, a possibilidade de desfrutar uma vida livre de riscos e de eventualidades torna-se ainda mais remota quanto maior a dependência estatal. Os riscos, na verdade, são inversamente proporcionais aos esforços pessoais dos indivíduos. O brasileiro está aprendendo esta lição da pior maneira possível (quero muito acreditar no caráter pedagógico da conjuntura atual).

Num artigo publicado no ano de 2009, o professor Olavo de Carvalho afirmou que “É humanamente burro insistir em aprender com a experiência própria, quando fomos dotados de raciocínio lógico justamente para poder reduzir a quantidade de experiência necessária ao aprendizado”. A despeito da capacidade de raciocínio lógico de que fala o autor e dos inúmeros exemplos dos desastres provenientes de intervenções governamentais nas relações econômicas dos indivíduos (vide o caso cubano, venezuelano e até mesmo o brasileiro), o clamor por intervenções que nos levem ao paraíso torna-se, a cada dia, mais enérgico.

Se não concorda com o que digo, sugiro que experimente propor aos doutores e pós-doutores formados em nossas universidades públicas (formação impossível sem a “contribuição” do pagador de impostos, claro) que tenhamos um modelo privado de educação. Um modelo em que o MEC, braço estatal que regula o que nossos filhos devem aprender nas escolas (qualquer semelhança com o modelo cubano de ideologização não é apenas uma coincidência) seja extinto e ceda lugar a instituições de ensino que valorizem atribuições que estejam em conformidade com as demandas do mercado. Não se espante se a maioria deles lhe disser que você é um louco e que educação não é produto que deva ser comercializado no balcão capitalista.

Sugiro, adicionalmente, que faça uma investigação a respeito dos planos futuros destes mesmos profissionais. Quase todos querem uma sinecura em algum órgão público. Como não aprenderam o conceito de valor e não têm ideia do que seja satisfazer a necessidade de um consumidor numa relação capitalista de livre mercado (isto explica parcialmente o ódio de nossos intelectuais ao modelo de livre mercado) querem os polpudos salários ofertados pelo governo para desfrutar de uma vida nababesca sem se preocupar com a incerteza que atormenta o empreendedor que o sustenta.

Como nos lembra Rothbard em sua obra “A Anatomia do Estado”, […] “o sustento do intelectual no livre mercado nunca é algo garantido, pois o intelectual tem de depender dos valores e das escolhas das massas dos seus concidadãos, e é uma característica indelével das massas o fato de serem geralmente desinteressadas de assuntos intelectuais. O estado, por outro lado, está disposto a oferecer aos intelectuais um nicho seguro e permanente no seio do aparato estatal; e, consequentemente, um rendimento certo e um arsenal de prestígios. E os intelectuais serão generosamente recompensados pela importante função que executam para os governantes do estado, grupo ao qual eles agora pertencem”. Este modelo chegará, inevitavelmente, à exaustão. À beira de um precipício fiscal, que tende a se intensificar com a farra de nossos parlamentares, não restará alternativas para os doutores que visam no aparato estatal um refúgio seguro contra a tempestade que ajudaram a criar por meio da disseminação de ideias revolucionárias e anticapitalistas.

Sobre o autor: Juliano Roberto de Oliveira é administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e Mestre em Engenharia de Produção, é estudioso das ideias liberais.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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