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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Esquerda utiliza adolescentes como massa de manobra em marcha contra as armas

Alguém acreditou mesmo que a enorme marcha por maior controle de armas, que tomou conta dos Estados Unidos neste fim de semana, foi um protesto espontâneo criado por adolescentes de 16 anos? É preciso ser muito ingênuo para crer nisso.

Os mesmos “céticos” que ridicularizam as “teorias da conspiração” envolvendo George Soros, o especulador que transferiu $18 bilhões de sua fortuna para bancar movimentos de extrema-esquerda pelo mundo todo, tornam-se crédulos quando a mídia impõe tal narrativa surreal?

É óbvio que tudo foi organizado e orquestrado pela cúpula do Partido Democrata, que tem no desarmamento uma de suas principais bandeiras – como todo partido radical de esquerda e todo regime totalitário, diga-se. Os democratas não “capitalizaram” em cima do protesto dos jovens; eles lideraram os adolescentes, tratados como massa de manobra, como marionetes em seu jogo de poder.

E sempre foi assim! A esquerda sempre usou a juventude para seus interesses políticos. É o “movimento revolucionário juvenil” que nasce mais velho: já com a idade e os cabelos brancos de seus gurus. Mao “empoderou” os adolescentes na China para criar sua “revolução cultural”, transformando jovens em assassinos, inclusive de seus pais “contrarrevolucionários”.

É o exemplo mais tosco, mas está longe de ser o único. A esquerda radical sempre tratou a juventude como a vanguarda do progresso, detentora de uma sabedoria ímpar e uma pureza inigualável, justamente porque é mais fácil manipular os mais jovens, normalmente mais rebeldes por natureza, afeitos às soluções utópicas e mágicas.

Os militantes disfarçados de professores e intelectuais sempre incitaram a rebeldia dos jovens de olho nisso. Falam que é preciso confrontar toda autoridade, norma, regra, tradição, tabu, lei, instigando um hedonismo irresponsável, e repetem que não devem seguir ninguém de forma hierárquica, enquanto assumem o papel de líderes idolatrados da garotada, num ato de total hipocrisia.

Dediquei um capítulo inteiro em Esquerda Caviar ao tema da juventude, justamente porque ela sempre foi instrumento revolucionário dos líderes esquerdistas. Em vez de cobrar estudo desses garotos e garotas, respeito aos mais velhos, humildade pelo quanto lhes falta de aprendizado, os agitadores socialistas repetem que eles são “o futuro melhor”, e que já sabem o que deve ser feito para torná-lo possível.

Pronto: ninguém mais precisa ralar para ser alguém na vida: basta pegar um megafone e repetir chavões sensacionalistas, ou fazer seis minutos de silêncio. Tocante! Um teatro lamentável, não pela insinceridade desses alunos, que sofrem com a perda de amigos mortos em massacres, mas pela demagogia produzida por políticos de esquerda, que exploram esse sentimento sincero. Esses eventos produzem muito calor e pouca luz. Mexem com as emoções, mas nada acrescentam em termos de argumentos racionais ao debate.

E a esquerda sabe disso! Quando Obama, que foi um agitador em Chicago treinado pelo radical Saul Alinsky, diz que é essa garotada que o motiva, ele está sendo o ícone da demagogia, do populismo. E quando vemos um garoto de 14 anos – quatorze anos! – dando lição de moral e falando, em tom de ameaça, que os políticos (republicanos) terão de escutar “o povo” (e ele deve ter procuração para falar em nome de 300 milhões de pessoas, claro), isso deveria chocar qualquer pessoa sensata, não despertar suspiros de admiração.

Um moleque de 14 anos tinha que estar arrumando o próprio quarto, ajudando os pais a limpar a louça, e estudando, tirando boas notas, para ser alguém na vida. Deveria estar pensando em namorar também, praticar esportes, jogar videogame. Não a ser um revolucionário que incorpora o “povo” e distribui ameaças autoritárias aos políticos adversários daqueles que bancam essas marchas.

Sei que vou, uma vez mais, à contramão do “senso comum”, pois não são poucos os que adoram uma narrativa sedutora dessas. Adolescentes, sentidos pelo massacre de colegas, resolvem criar uma marcha espontânea e cobrar dos políticos mudanças legais, clamando por mais controle de armas: como não deixar escorrer uma lágrima de emoção?

É preciso algum treino e conhecimento de causa, admito. Depois de muito estudar e saber como a esquerda costuma agir, esse tipo de espetáculo não me comove nem um pouquinho. Até porque estão vendendo para esses adolescentes a falsa ideia de que basta proibir a venda de armas para se evitar esse tipo de tragédia, o que é simplesmente absurdo.

O que os adultos deveriam fazer é estimular esses jovens ao debate, calcado em argumentos, dados, fatos, lógica, tolerância ao contraditório. Isso se fossem adultos responsáveis, decentes, eles mesmos forjados por esse processo intelectual honesto. Infelizmente, a maioria está com medo, perplexa, e também se deixa seduzir pelas soluções mágicas e fáceis, pelas emoções.

Os adolescentes acabam sendo um reflexo desses adultos, num círculo vicioso. E aí bastará calar alguém como eu, que tenta trazer o contraditório. Serei xingado de “fascista” e estará tudo resolvido. Eles já “saberão” que estão do lado certo, com as mais nobres intenções, e que alguém como eu só pode ser um insensível ou lacaio da indústria bélica, que não se importa com os jovens alunos metralhados por psicopatas. É a morte do debate. E a vitória do populismo, aquele promovido pela esquerda.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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