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Rodrigo Constantino

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“Foi extorsão!”, diz em entrevista reveladora empresário que pagou R$ 10 milhões em propina

Cristiano Kok, da Engevix. Fonte: Folha

Ninguém com um pingo de juízo vai defender a tese de que as empreiteiras brasileiras são pobres vítimas. Mas se há algo realmente absurdo nessa história do petrolão, é a tentativa por parte do PT de pintar as empreiteiras como os vilões e ignorar que os corruptos do governo arquitetaram o esquema todo e controlavam a operação de propina para irrigar os cofres públicos de seus partidos e suas contas pessoais na Suíça.

O governo cria dificuldades legais para vender facilidades ilegais depois, e um governo que controla 40% do PIB, e com uma estatal nas mãos que sozinha investe $ 40 bilhões por ano, tem as empresas que desejar ajoelhadas e dispostas a pagar muito caro pelo privilégio de fazer negócios com esse gigantesco cliente. Um governo desses nas mãos de uma quadrilha disfarçada de partido é um instrumento e tanto de coação.

Foi justamente o que aconteceu, segundo o empresário da Engevix em reveladora entrevista à Folha. Não precisamos o considerar um santo, mas qualquer pessoa que conhece um pouco da realidade dos negócios brasileiros sabe que ele fala a verdade: ou dá, ou desce. Ou seja, ou o empresário aceita participar do esquema imposto pelo governo corrupto, ou está fora do jogo, e perde negócios bilionários com um cliente obeso e perdulário. Cristiano Kok diz:

Foram R$ 6 milhões a R$ 7 milhões num contrato de R$ 700 milhões da refinaria Abreu e Lima, e mais uns R$ 3 milhões na refinaria de Cubatão. Pagamos em prestações mensais para três empresas do Alberto Youssef, como se fosse prestação de serviços.

[A propina era] para não ser prejudicado nos pagamentos de aditivos [aos contratos] e das medições da obra. Os contratos a gente ganhou por licitação. Mas, para receber em dia, e ter as medições aprovadas, tem que pagar comissão, taxa de facilitação, propina, chame do que você quiser. Você começa a obra, monta equipe, se instala, sua um pouquinho e aí começam a aparecer as dificuldades para receber. Era chantagem mesmo. Extorsão.

[…]

Minha resposta imediata seria dizer que foi tudo um absurdo, não devia ter participado. Mas era fazer isso ou ficar sem serviço. As empresas cometeram erros e estão pagando um preço altíssimo por um processo de extorsão.
Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso. Você sai do mercado, seu contrato é cancelado, vão comer teu fígado.

[…]

Os políticos aparelharam essa máquina com gestores incompetentes, para obter vantagens pessoais ou para seus partidos. A versão que tem sido divulgada é que a Petrobras foi assaltada por um bando de empreiteiras. A verdade é que os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras.

São acusações sérias e verossímeis. Conhecendo o PT, a política em geral, e como funcionam os negócios com o governo, é preciso ser muito ingênuo para acreditar que empreiteiros malvados e gananciosos corromperam pobres burocratas e governantes. Foi o contrário: governantes e burocratas corruptos demandaram fornecedores que aceitassem participar do esquema, e só um mártir colocaria a boca no trombone correndo o risco de ser preso e ir à falência.

O grande problema é a simbiose entre estado e grandes grupos empresariais, o “capitalismo de laços”, existente quando o governo concentra poder econômico demais. Esse patrimonialismo nas garras de um PT da vida é a garantia de abusos. Daí o petrolão. Um mega esquema de extorsão, em que as empreiteiras ou topavam pagar propinas, ou estavam fritas. Preferiram participar do esquema, pagaram propinas, e hoje estão fritas mesmo assim.

Era melhor terem tido a coragem de denunciar a podridão antes, ainda que seja pedir demais tal atitude digna de mártires, não de empresários sobreviventes num país como o Brasil, cujo governo é mestre em achacá-los.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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