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Rodrigo Constantino

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Israel está certo em vetar entrada no país de quem prega boicote

KEREM YUCEL/AFP/Getty Images

“Por pressão de Trump, Israel barra entrada de duas deputadas democratas muçulmanas”, dizia manchete do GLOBO. Um tanto tendenciosa, para dizer o mínimo. Primeiro, não é por pressão do Trump, que de fato a fez, mas por critério objetivo da nação judaica: quem prega o boicote a Israel não merece um visto para entrar no país. Segundo, não são “democratas muçulmanas” apenas, mas radicais antissemitas. Detalhe bobo…

Vamos aos fatos: Israel é a única democracia sólida naquela região, um país próspero, com ampla liberdade individual, inclusive para minorias. O Knesset, seu parlamento, tem mais de 12% nas mãos de árabes, incluindo muçulmanos. Alguém consegue pensar no “parlamento” iraniano com judeus? Há drusos nas Forças Armadas israelenses com o maior orgulho. Israel é um país civilizado.

Mas muitos adoram odiar Israel. As causas são várias, da pura inveja até o escancarado oportunismo ou ódio patológico mesmo. E como pega mal, no mundo atual, detonar os judeus como “raça”, os preconceituosos se escondem atrás do ataque ao sionismo. Ou seja: eles não odeiam os judeus como povo; só acham que eles não devem ter direito a um país!

Na prática, a campanha de boicote a Israel é uma forma de demonizar o povo judeu. O anti-sionismo mascara o velho antissemitismo, a judeofobia. E é aí que entram as “democratas muçulmanas”. Ligadas a radicais do Islã, inclusive a gente do Hamas, grupo terrorista que quer destruir Israel, Ilhan Omar e Rachid Tlaib fazem campanha contra Israel e alfinetam os judeus sempre que podem.

O caso de Omar é tão escancarado que até seus companheiros do Partido Democrata tiveram que critica-la e prepararam uma moção contra seu preconceito. Por covardia, em especial da líder Nancy Pelosi, o troço foi diluído até virar um ataque genérico ao preconceito, com o antissemitismo se misturando à islamofobia e outras formas de ódio, enquanto o nome de Omar foi retirado. A congressista cara de pau chegou a comemorar a demonstração de repúdio do Congresso ao preconceito em todas as suas formas!

Estamos lidando, portanto, com o que há de pior dentro do Partido Democrata, que virou uma espécie de PSOL americano. Israel tem todo direito de vetar visto para quem odeia judeus e Israel, e que faz campanha de boicote ao país (hipócrita, pois tudo que é produto tecnológico hoje usa alguma inteligência israelense). As congressistas sabiam muito bem disso, e forçaram a barra para a visita, justamente porque desejavam posar de vítimas da “censura” e do “fascismo” de Israel.

Quase conseguiram. Tlaib foi autorizada a irmesmo assim, pois tem familiares na Cisjordânia. Isso só mostra como Israel é tolerante, até mesmo com quem odeia o país e o povo judeu. Em um comunicado, Netanyahu disse que nenhum país do mundo respeita mais o Congresso americano que Israel, mas justificou o veto com base em uma lei que proíbe a entrada daqueles que defendem um boicote do país.

Segundo o premier, Israel é uma “democracia vibrante e livre” aberta a todo tipo de crítica, menos àquelas que defendem um boicote. Ele referia-se ao movimento Boicote, Sanções e Desinvestimento, apoiado por Tlaib e Omar, que defende o boicote ao Estado de Israel supostamente em repúdio ao tratamento dado aos palestinos. Se dependesse dessa turma, Israel baixava a guarda e deixava o Hamas dominar Tel Aviv, em nome da “democracia”. E seria o fim de Israel – e do povo judeu naquela região. Eis o real objetivo das congressistas…

PS: Israel de fato tem uma política de atrair jornalistas, políticos e personalidades em geral para conhecerem de perto a realidade do país. Eu mesmo já fui numa dessas visitas. E esquerdistas são convidados também, mesmo aqueles com discursos negativos a Israel. Jean Wyllys já foi, e voltou com discurso mudado. O problema é que há aqueles que odeiam Israel e querem sua destruição, independentemente dos fatos. É o caso dessas congressistas.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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