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Rodrigo Constantino

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Ministério da Cidadania assina cota de tela para proteger cinema nacional: és tu, PT?

O documento que determina a Cota de Tela para o ano de 2019 foi assinado nesta segunda, 6, pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra.

A regra é a garantia de espaço nas salas de cinema do país para filmes brasileiros. Agora o documento deve seguir para a publicação no Diário Oficial da União.

Em seguida, deve seguir para aprovação na Casa Civil, e ser encaminhado para o presidente Jair Bolsonaro.

O debate foi levantado diante da falta de proporção do filme ‘Vingadores: Ultimato’, exibido em mais de 80% das salas. Em 11 dias, a produção já ultrapassou US$ 2 bilhões de arrecadação na América do Norte.

O mecanismo para garantinr a reserva de salas costuma ser renovado a cada ano. Em 2018, o decreto não foi assinado pelo então presidente Michel Temer, nem pelo ministro da Cultura na época, Sérgio Sá Leitão.

Saudades de Temer! Espero que o presidente Bolsonaro vete esse absurdo protecionista. Só falta agora os bolsonaristas justificarem essa reserva de mercado! Já comentei sobre esse tema aqui:

Esse fim de semana foi a estreia do tão esperado “Vingadores: Ultimato”, o último filme da saga dos super-heróis da Marvel. Um recorde histórico de bilheteria, arrecadando $1,2 bilhão.

Confesso que adoro esse tipo de filme como puro entretenimento, apesar de reconhecer também o papel mais filosófico dos mitos e seus dramas e dilemas, para aquilo que Burke chamou de “imaginação moral”. Infelizmente não pude ver ainda, pois foi o fim de semana em que fiquei com meu bebê.

Mas mesmo que pudesse ir, não seria capaz sem planejamento antecipado: todas as salas estavam lotadas! E eis o ponto: mesmo ocupando mais da metade das salas de cinema, a demanda é tanta que há escassez de lugares. Pelo visto não sou o único que gosta desses tipos de filme com produção multimilionária, incríveis efeitos especiais, aventura e diversão. Mas há quem não aceite muito bem a demanda popular. E pior: há quem queira determinar o que deve ser visto pelo público enquanto se diz liberal! Nada mais iliberal do que desejar escolher pelos outros.

Kleber Mendonça Filho escreveu uma mensagem criticando o espaço cedido ao filme novo da Marvel. O Brasileiro “De Pernas Pro Ar 3” estaria perdendo 300 salas com a estreia do filme dos super-heróis, e isso, segundo ele, é um “mercado sem lei”, com a lógica de “subtrair para ganhar”, e não a de “somar com diversidade”. “Os dois filmes poderiam ir bem, sem desequilíbrio”, conclui. Mas sem explicar como.

Traduzindo: ele quer a intervenção estatal para “equilibrar” melhor a oferta de salas, sem levar em conta a demanda do povo. Elena Landau, que se diz uma liberal, concordou: “Tá certíssimo. 90% de salas para um filme só e ainda retirar um filme que estava com demanda firme e crescente é um absurdo”, desabafou aquela que, ironicamente, ficou conhecida como a musa das privatizações. “Não há justificativa para isso”, concluiu. Há sim: chama-se demanda.

Os defensores de cotas para o cinema nacional querem apenas reserva de mercado, querem usar coerção estatal para forçar os cinemas a garantir espaços mesmo quando a decisão mais racional seria atender a demanda do público, que prefere os filmes estrangeiros.

Não é com protecionismo que o cinema nacional vai avançar, como não é assim que setor algum avança. A indústria automotiva, por exemplo, é o infante mais velho que existe: há 70 anos se fala em proteger o setor para permitir ganhos de produtividade. A única saída é a livre concorrência, e que o consumidor seja a última voz na hora de escolher o que consumir.

Não há nada liberal nessa reserva de mercado para filmes nacionais. Veta isso, Bolsonaro!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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