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Rodrigo Constantino

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Morte de Boechat causa comoção da esquerda à direita: Brasil perde um grande jornalista

Mais uma tragédia. Mais uma triste notícia neste começo de ano. Depois de Brumadinho, de incêndio no Flamengo, de temporal no Rio, recebemos todos com espanto e consternação a notícia da morte do jornalista Ricardo Boechat, num acidente de helicóptero em pouso forçado, que teria colidido com uma carreta. Uma desgraça!

Boechat era um grande jornalista, conquistou sua independência com seu estilo próprio, sua irreverência, sua interessante mistura de sentimental com revoltado anarquista. Era capaz de ligar uma metralhadora giratória contra tudo e todos, cobrando dos poderosos resultados e posições sobre temas polêmicos.

Tinha minhas divergências políticas com ele, claro, principalmente quando ele dava um jeito de elogiar Fidel Castro e o modelo cubano. Mas divergências políticas não me impedem de reconhecer nele um gigante do jornalismo, uma figura marcante que deixou um legado de respeito e admiração, legitimamente conquistados.

A prova desse reconhecimento vem na reação do público nas redes sociais. Do presidente Bolsonaro aos petistas, todos estão lamentando, e não me parece ser um caso de “sinalização de virtude”. Acredito que a imensa maioria realmente sinta a perda, tenha ficado bastante triste com a notícia.

Boechat foi minha companhia matinal no caminho para o trabalho por vários anos, assim como para milhões de brasileiros. Seu quadro com José Simão era sempre muito aguardado por mim, para aliviar a tensão do trânsito. As entrevistas, as notícias, as pancadas que ele distribuía, tudo passou a fazer parte do meu cotidiano. No telejornal da Band a mesma coisa: sua presença era sempre forte, não podia passar despercebida.

Datena não chorou à toa ao dar a notícia no ar, e é compreensível a Band ter tirado o programa do ar pois os companheiros do jornalistas não estão em condições de trabalhar neste momento. Eis alguns comentários feitos após a trágica notícia:

É com pesar que recebo a triste notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, que estava no helicóptero que caiu hoje em SP. Minha solidariedade à família do profissional e colega que sempre tive muito respeito, bem como do piloto. Que Deus console a todos! – Presidente Jair Bolsonaro

Um dos mais impressionantes comunicadores de rádio que já ouvi; senhor da latinha. Que Deus o tenha em bom lugar. – Carlos Andreazza

É com profunda tristeza que recebi a notícia da morte trágica do jornalista Ricardo Boechat. Boechat fará uma falta enorme ao jornalismo, ainda mais nesse momento do país. Que Deus conforte sua família, amigos e colegas de trabalho nesse momento de perda e dor. – Marina Silva

Meus sentimentos à família e aos colegas de trabalho do jornalista Ricardo Boechat. Igualmente, minha solidariedade aos familiares e amigos das demais vítimas. Sua voz já era uma das marcas da comunicação brasileira. Como da casa da gente… Q triste notícia… – Maria do Rosário

Boechat era uma referência do jornalismo: como colunista, como âncora. Com tudo o que era, conseguia ser generoso com quem tinha menos experiência. No encontro que tivemos, me brindou com essa generosidade que nem sei se merecia. – Vera Magalhães

Boechat um modelo de jornalismo corajoso. Tive a honra de substitui-lo no Bom Dia Brasil, como comentarista, há duas décadas. Descanse em paz, amigo, com as glórias de ter bem cumprido sua missão. – Alexandre Garcia

Chegou a dar um nó na garganta. Não importa a posição política dele é diferente da minha. Sentirei falta do coração de um ser humano que foi um grande jornalista. – Allan dos Santos (Terça Livre)

Meu querido amigo Ricardo Boechat. Não posso acreditar. Eu lhe devo tantos favores, tantas palavras generosas em momentos difíceis. Você foi pessoa linda, jornalista maravilhoso. Ai Boechat, tão cedo, tão cedo amigo. – Miriam Leitão

Mto, mto triste c/a morte de Ricardo Boechat…nos encontramos inúmeras vezes no Rio e ele, sempre sorrindo c/aqueles vívidos olhos azuis e c/ um abraço apertado, dizia: “mas que orgulho eu tenho desse vôlei!”. Meus mais sinceros pêsames à família. Vá em paz, querido Boechat. – Ana Paula Henkel

Como fica claro, Boechat deixou marcas e fará muita falta. Um caso raro que une da direita à esquerda por sua credibilidade conquistada ao longo dos anos, deixando de lado as inevitáveis divergências políticas e ideológicas. E, por trás disso tudo, sentimos a perda de um ser humano, que deixa mulher e filhas que aprendemos a simpatizar por tabela, após tantas referências carinhosas do próprio jornalista. Que descanse em paz, e meus sentimentos aos amigos e familiares.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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