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Rodrigo Constantino

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No limite da paciência: como os safados fazem os moderados virarem revolucionários

A decisão do STF nesta quinta foi uma ducha de água fria em todos os brasileiros que tinham esperança na Justiça. E foi, também, um galão de gasolina na fogueira, ao incendiar o sentimento geral de que acreditar nas instituições já deu, é ingenuidade, que “algo” fora disso precisa ser feito. O clima é de “desobediência civil”, e eu mesmo cheguei a confessar que dou o braço a torcer: precisamos agora mais de Thomas Paine, o revolucionário, do que de Edmund Burke, o prudente.

Essa divisão interna que carrego vem de longe, e cheguei a escrever um texto sobre isso, alegando que ficava entre a revolta de Paine e a cautela de John Adams, uma espécie de Burke americano. O problema é que a cada novo soco em nosso estômago, a cada novo descaso das autoridades, a cada novo escárnio dos ministros do STF, abandonamos a prudência conservadora e mergulhamos no ardor revolucionário. Escrevi então:

Há um Thomas Paine em mim, querendo incendiar de vez o clima de revolta, para detonar esse sistema podre, cujas entranhas foram expostas de vez pela Odebrecht. Há um Thoreau em mim, pregando com José Padilha a desobediência civil. Mas há, também, um John Adams em mim, um Burke, recomendando cautela, lembrando que a revolução pode descambar para algo ainda pior, que reformas talvez ainda sejam possíveis, apesar de toda a podridão. Creio que as pessoas moderadas e conscientes estão oscilando entre esses dois polos extremos hoje. Não dá para ver tanta indecência e não ter o lado radical aguçado. Mas também não dá para conhecer a História e a natureza humana e vibrar muito com as “soluções mágicas” partindo diretamente do povo, com a intenção de “zerar a pedra” e recomeçar do nada, tabula rasa. Que tempos!

É difícil escrever algo com essa sensação, pois nós, formadores de opinião, defensores da construção de uma nação mais livre e republicana, não podemos cair na vala comum, incitar o ódio, incendiar as massas, tocar o terror. Não podemos ser os black blocs do lado de cá, o MST da direita, pois não somos como eles, não usamos as mesmas táticas e os mesmos métodos. Temos de vencer de forma superior também.

Mas como vender esperança ao povo que está tão desiludido? Como pregar calma e frieza em um momento de tanta indignação, revolta, esgotamento? Não é trivial. Paulo Eduardo Martins gravou um vídeo de desabafo em que captura o sentimento geral da nação, e deixa no ar o desafio de quem ainda quer acreditar no país e construir instituições sólidas.

Quando a instituição republicana mais importante, aquela que precisa ser a guardiã da Constituição, do próprio “império das leis”, torna-se um puxadinho do PT, uma banca de advogados de Lula, um bandido condenado em segunda instância, então é porque a crença nas “instituições” se perdeu, e fica parecendo coisa de ingênuo ou dissimulado. Mas Martim Vasques da Cunha está certo em seu alerta:

Concordo. Não queremos ser como eles, e não precisamos de Robespierres, e sim de Churchills e Washingtons. Ou seja, de estadistas corajosos, que liderem uma guerra, sim, mas a favor da construção de algo melhor, não da destruição pura e simples do que existe e está podre. Partir para a grosseria é desistir do Brasil e abraçar o niilismo: não vai levar a lugar algum, ao menos não um melhor.

Foram nos momentos de mais desânimo e desesperança que os discursos de Churchill se fizeram tão necessários para resgatar o ânimo dos britânicos. E Churchill não era um jacobino incendiário, mas um soldado incansável da civilização, lutando para salvar o que temos de melhor, não para simplesmente destruir o que havia de pior.

Derrotar o inimigo é fundamental, sem dúvida. Mas tomemos o cuidado de fazer isso sem jogar fora junto o bebê da liberdade. Nós vamos tomar o Brasil de volta. Nós vamos construir uma nação que nos dê orgulho. E, para tanto, será preciso enfrentar essa corja vermelha, essa quadrilha cujos tentáculos chegam nas universidades, na mídia, nos sindicatos, nas igrejas, no Congresso e até no STF, como vimos com clareza. Vamos vencer, apesar de vocês!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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