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Rodrigo Constantino

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O liberalismo é uma utopia?

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Por Og Leme, publicado pelo Instituto Liberal

Sim, o liberalismo é uma utopia no mesmo sentido em que o norte da bússola é uma utopia ou o cristianismo é uma utopia. O caminhante que, confiante em sua bússola bem calibrada, desejar viajar em direção norte, pode estar tranquilo: esse será o seu rumo.

Isso não significa, entretanto, que esse caminhante chegará algum dia a um lugar chamado norte. Significa apenas – o que não é pouco! – rumo correto, mas não certeza de destino final que, no caso, equivaleria à volta ao Éden, que afinal tornaria tudo monótono e insípido demais.

O liberalismo não promete o Paraíso, uma sociedade perfeita, cheia de benefícios e isenta de custos. Promete, isto sim, a melhor alternativa de que é capaz a imperfeita ação humana. E ainda não houve ação humana capaz de oferecer algo melhor.

O liberalismo promete a melhor alternativa de que é capaz a imperfeita ação humana

Com a derrota do socialismo, o liberalismo não tem mais inimigos?

O Prêmio Nobel James Buchanan tem a resposta: “Socialism is dead, but Leviathã lives on”. “O socialismo morreu, mas o Leviatã continua vivo”. Isto é, a experiência real do socialismo foi um grande fracasso, mas o seu espírito continua vivo, manifestando-se com a mutabilidade dos vírus, ora na pretendida defesa do meio ambiente, ora com a inspiração mercantilista dos que buscam proteger “o nosso” contra “o deles” ou como distributivistas que, na realidade, não passam de assaltantes dispostos a tirar de algumas pessoas para dar a outras.

Buchanan está coberto de razão: o socialismo real se afogou em sua própria insensatez. Mas, lamentavelmente, continua viva a insana ideia de que as “falhas de mercado” devem ser substituídas pelos iluminados “acertos do governo”. Constitui excesso de arrogância intelectual e cegueira histórica pretender melhores decisões do que os milhões de agentes econômicos privados que estão permanentemente a realizar trocas entre si no seio do mercado.

O futuro da humanidade depende da nossa capacidade de acreditarmos que as falhas de mercado custam muitíssimo menos do que os “acertos” do governo.

Nota: Artigo retirado do livro de crônicas Og Leme, um liberal, editado pelo Instituto Liberal em 2011.

Nota do blog: Quem tiver interesse em se aprofundar mais no tema, recomendo meu curso “A Trajetória das Ideias Liberais“, onde faço um resumo de 40 pensadores que colaboraram com o avanço do liberalismo nos últimos séculos.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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