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Rodrigo Constantino

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O “negro do MBL” e o racismo explícito na vitimização esquerdista

lixo

Por Lucas Berlanza, publicado no Instituto Liberal

Sei o que dirão. “Diário do Centro do Mundo? É como procurar algo que preste naCarta Capital. Por que você ainda lê isso? Por que escreve sobre isso? Por que dá ibope a esses loucos? ”. Sim, eu sei exatamente o que vou encontrar quando frequento as linhas de algum desses veículos da esquerda esclerosada. Anyway, é isso que eles estão lendo! Nosso trabalho é justamente observar o que está sendo produzido e difundido, na mídia, nos livros, na produção cultural e intelectual, e contrapor um pensamento alternativo. Ossos do ofício, portanto, pus-me a ler artigo do colega jornalista capixaba Marcos Sacramento para o distinto portal mencionado acima, com o título O que Holiday, o negro do MBL, pode aprender com a surra que levou da polícia.

O título em si já é uma excrescência. Fernando Holiday, para quem não sabe, é um dos jovens integrantes do Movimento Brasil Livre. Faz vários discursos contra as cotas raciais, contra a vitimização dos negros, contra a esquerda, o socialismo e o populismo, com intensidade e vigor. É uma das figuras de maior notoriedade no movimento, principalmente porque incomoda os padrões interessantes às esquerdas; contraria seus discursos emocionais e piegas, embora faça parte de uma das “minorias vítimas” a quem eles desejam proteger, e de quem, mais ainda, se consideram protetores AUTORIZADOS. Inimigo da opressão, do preconceito racial, da exclusão de indivíduos pela cor de pele, o avançadíssimo Marcos Sacramento já destaca de início que Holiday é “o negro” do MBL. Subjetividades, talentos, defeitos, opiniões, ideias – detalhes. O importante é que se trata “daquele negro lá”… E o pior: aparentemente, o representante dos avançadinhos politicamente corretos que não gostam de repressão policial acha que uma suposta surra pode ensinar uma lição ao tal “negro”. É isso mesmo? Vamos ver o que ele diz.

Em seu primeiro parágrafo, Sacramento pontua que Holiday é um “negro que odeia negros” – provas, nenhuma -, sendo uma das lideranças do “golpista MBL” – que defende o impeachment, uma medida legal, contemplada pela Constituição, embasando-se em obviedades e raciocínios de juristas de renome que atestam crime por parte da presidente da República. Em foto, Holiday, quando da remoção do acampamento pelo impeachment organizado em frente ao Congresso – medida altamente questionável e autoritária dos senhores Cunha e Renan Calheiros -, aparece “dominado por um grupo de policiais”. Ah, sim, nas palavras de Sacramento, Holiday e seus “asseclas” – isso mesmo, “asseclas” – foram removidos.

De acordo com o texto, a imagem da remoção transmite um recado “contrário à agenda fascista do movimento”, lembrando que Holiday, “na condição de jovem e negro, está vulnerável e não há simpatia por ideias ‘liberais’ e meritocráticas capazes de protegê-lo da crueldade das estatísticas contra negros”.  Por “ignorância, desonestidade intelectual, maldade, raiva de si mesmo ou quem sabe tudo junto, Holiday adere a esses princípios “fascistas liberais” (sic) do MBL e faz pouco caso de ações afirmativas que coloquem seus pares, os negros, em situação de dependência para com assistencialismos imorais do governo populista.

Apesar da ousadia de ter uma opinião diferente, apesar de “trair” a sua “raça”, apesar de expressar uma identidade particular e desvinculada de coitadismos e vitimizações infantis, Holiday não deixa de ser atingido pelos “efeitos nefastos do passado escravocrata”. Sacramento garante, com sua autoridade moral sublime, que, “se ele até hoje não passou por nenhuma situação constrangedora, foi graças à sorte”. Diariamente, diz ele, jovens negros “sofrem duras (?) da polícia sem motivo algum, muitos desaparecem ou morrem em simulações de trocas de tiros”. Ou seja, eles são mortos estupidamente, assassinados pelos trogloditas que nós chamamos de policiais, pelo simples fato de serem, naturalmente, NEGROS. Existe, na miscigenada sociedade brasileira, um racismo onipresente, crônico, que leva pessoas a saírem violentado e matando as outras tão somente por rejeitarem a sua cor de pele, por desprezarem a sua “raça” – esse conceito ultrapassado e espezinhador, mas que, na hora de se beneficiar da cota, é muito válido.

No caso de Holiday, porém, “não há indícios de que a abordagem da polícia (…) tenha alguma motivação racista”. Ah, não, claro. No caso dele, já que ele é um negro de retórica “esbranquiçada”; já que abdicou da fraternidade de sua “raça” para defender uma perspectiva mais civilizada e humana, uma que confira dignidade ao indivíduo e relegue diferenciações de estatura moral e potencialidades baseadas em superficialidades fenotípicas à lata de lixo da história, uma que não forneça desculpas para a sanha por privilégios irracionais e discursos segregacionistas que se constroem sob o pretexto da conscientização anti-preconceito – ah, então, se ele é agredido, não é por racismo. Na verdade, conclui Sacramento, no caso dele, pode ser até bom ter passado por isso. Talvez assim “as mãos pesadas dos agentes da Polícia Legislativa” o façam “pensar nos riscos que enfrenta pelo simples fato de ser negro”.

Não, Sacramento. Holiday correu, junto a todos os seus companheiros de MBL ali acampados, os riscos que as pessoas assumem quando desafiam a truculência e o autoritarismo, infelizmente ainda praticados e sedimentados na cultura política do país, e tão próprios do bolivarianismo do qual petistas e socialistas brasileiros são cúmplices (ao exaltar, por exemplo, o regime de Maduro na Venezuela). Holiday corre os riscos que todos os brasileiros correm quando põem os pés fora de casa, vítimas da violência generalizada que nos mata a todos. Não existe escolha pela cor de quem vai morrer. A bala perdida não escolhe a cor da vítima que vai atingir. A miséria não escolhe a cor de quem vai nela mergulhar. E, como diria George Bernard Shaw, a burrice em geral se distribui de forma bastante democrática. A canalhice, acrescentaríamos, também. Das duas, uma (ou duas); diante de um texto tão vexatório, não creio restem muitas outras alternativas para compreender as motivações do senhor Sacramento.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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