
Qualquer tipo de previsão já é um risco, pois o futuro é sempre incerto. Quando se trata do preço de uma commodity como o petróleo, então, é ainda pior. Afinal, são tantas variáveis que entram na equação e influenciam seu resultado que fica impossível estimar com alguma precisão seu preço futuro.
Ninguém diria, por exemplo, que o avanço da tecnologia permitiria a extração do gás de xisto nos Estados Unidos nessa magnitude atual, causando uma revolução no setor energético mundial. Mas se ninguém poderia antecipar com exatidão o que aconteceu, era possível, por outro lado, esperar com algum otimismo uma mudança favorável tecnológica. Afinal, essa tem sido a história do capitalismo nos últimos 300 anos.
E foi o que fez um dos maiores especialistas em energia do mundo, Daniel Yergin. Já li seu livro The Prize (traduzido no Brasil como O Petróleo), que conta a história da indústria desde a perfuração bem-sucedida de Edwin Drake na Pensilvânia em 1859. Desde então, os alarmistas de plantão já cantam a era do fim do petróleo, que até hoje não chegou e parece longe de chegar.
Yergin, que é autor do também excelente The Commanding Heights, em co-autoria com Joseph Stanislaw e que mostra as incríveis vantagens da era das privatizações lideradas por Margaret Thatcher, repetia há alguns anos que o avanço tecnológico iria levar a uma redução do preço do petróleo, quando muitos acreditavam que os US$ 100 por barril seria o novo patamar mínimo. Yergin acertou.
Sua visão para o setor daqui para frente está resumida na entrevista que concedeu à Ana Clara Costa na Veja desta semana. Falou de Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, e fez importantes alertas para o Brasil, que não estaria preparado para enfrentar a nova era mais competitiva. Diz ele:
Ou seja, a partir de agora teremos o mercado ditando mais o preço do petróleo, com menos influência e poder dos governos produtores como Arábia Saudita. Isso significa que o preço baixo veio para ficar, caso não ocorra nenhuma grande mudança geopolítica. E os países terão de se adaptar, pois a era de petrodólares abundantes se esgotou, ao que tudo indica.
Países como Irã, Rússia e Venezuela enfrentarão sérios problemas. E o Brasil? O Brasil certamente é mais diversificado, mas sabemos que o peso da Petrobras é grande na economia, algo como 10%, e que a receita proveniente do petróleo é importante para o governo também.
A Petrobras tem um agressivo programa de investimentos em curso, que consumiu dezenas de bilhões de dólares recentemente. E qual foi a contrapartida? Quase nenhum crescimento na produção, enquanto a dívida líquida não para de subir e já soma R$ 261 bilhões. O pré-sal foi uma grande ilusão até aqui, uma esperança tola que despertou o ufanismo estatizante de nossa esquerda.
As decisões da Petrobras passaram a ser políticas, como a criação da Sete, fornecedora de equipamentos para a própria estatal. Hoje a Sete, que tem na Petrobras seu único cliente, encontra-se em sérias dificuldades financeiras. Há ainda o caso das refinarias no nordeste, escolhidas por pressão direta do ex-presidente Lula, e que foram para o ralo, levando junto bilhões da Petrobras.
Em The Commanding Heights, Yergin mostra como a mentalidade estatizante foi responsável pelo atraso econômico nos países emergentes. Quando as empresas foram repassadas para a iniciativa privada, as coisas começaram a melhorar, e muito. Não é coincidência, tampouco sorte; são os mecanismos de incentivos.
Em um cenário de preço de petróleo mais baixo, o custo de exploração se torna ainda mais crucial. A competitividade será a palavra-chave para os sobreviventes. As regras fiscais dos governos terão de ser mais claras e menos hostis às empresas produtoras. O ufanismo bobo que leva a aberrações como cotas nacionais terá de ser revisto. “O Brasil correrá um grande risco se ficar surdo a essas vozes”, conclui Yergin.
A Petrobras vem sendo destruída há anos pelo PT. As decisões foram politizadas, o populismo tomou conta da empresa, e a corrupção saiu de controle, com uma quadrilha montada dentro da estatal pelo partido em conluio com empreiteiras. Só há uma solução para o Brasil e para a Petrobras nessa nova era de petróleo barato: a privatização!
Rodrigo Constantino








