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Rodrigo Constantino

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Petição tenta preservar legado histórico do império no Rio: triste do país sem memória

Na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, fica o Palácio Imperial onde os nossos “pais fundadores” pensaram, construíram e regeram o nosso país. As Cavalariças Imperiais faziam parte desse complexo, porém o então prefeito destruiu as antigas construções para fazer um estacionamento para o Maracanã na época dos preparativos para a Copa do Mundo no Brasil.

Alguns historiadores e arquitetos criaram um projeto para resgatar o local, atualmente abandonado, para a criação de um parque, aberto ao público, seguindo o projeto original do paisagista Auguste Glaziou que trabalhou com D. Pedro II nos jardins do Palácio. Entre as ideias consta também um monumento aos policiais da PM-RJ mortos e feridos, lembrando que D. João VI foi o criador da polícia e é o seu patrono. Isso faz parte também de um outro projeto maior de segurança pública.

No entanto, segundo o grupo, existem umas pessoas com ligações políticas que estão prestes a ter a posse do terreno para a construção de um enorme edifício, jogando uma pá de cal em nossa história. Por isso, o grupo criou um abaixo assinado endereçado ao Ministro da Cultura, Sergio Sá Leitão, para que ele interceda a favor do projeto histórico. Eis um trecho da petição:

A área das antigas Cavalariças Imperiais, localizada na Avenida Bartolomeu de Gusmão nrs 873 a 1035, no Bairro Imperial de São Cristóvão do Rio de Janeiro, é uma ferida aberta sangrando da Nação Brasileira. As Cavalariças Imperiais formam historicamente um só conjunto com os jardins da Quinta da Boa Vista e o Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista. São o palco onde o Brasil foi pensado, da sua criação como nação no mundo, da sua independência, da sua primeira bandeira. Há vários anos se pretende fazer um parque aberto ao público nas antigas Cavalariças Imperiais e reintegrá-las à Quinta da Boa Vista e ao belo paisagismo de Auguste Glaziou, encomendado pelo Imperador Pedro II. Mas a ideia nunca vai adiante e a demanda por áreas democráticas de lazer nunca foi tão alta.

[…]

Em Londres, as Cavalariças Reais ao lado do Palácio de Buckingham são uma grande atração turística. Vem gente de todo mundo prestigiar, incluindo brasileiros. Mas aqui no Brasil parece que preferimos abandonar, destruir e finalmente favorecer interesses particulares por cima do interesse de todos nós, os brasileiros que arriscamos esquecer quem somos. D. João VI, que trouxe a única Corte Real Europeia para o Novo Mundo, morava ali, passeava ali, tinha seus cavalos ali. E foi ali também que ele criou o nosso corpo policial. Até hoje, D. João VI é o patrono da nossa Policia Militar. O dia da Policia Militar é também o aniversário de D. João VI. O parque na área das Cavalariças Imperiais, ao ser devolvido à população, homenageará não só a nossa história e o meio ambiente, mas também a nossa Policia Militar. Face ao banho de sangue do qual a cidade tem sido testemunha, é ali também o local adequado para o memorial aos nossos policiais mortos e feridos, os heróis afilhados de D. João VI que se sacrificaram para defender a sociedade das pessoas de bem. 

Triste do povo sem memória, sem um legado e uma tradição. Sei que muitos brasileiros pensam que deveríamos esquecer nossa história, a colonização portuguesa, mas isso é bobagem. Recomendo as séries do Brasil Paralelo, que tem feito excelente trabalho de resgate da nossa verdadeira história, bem diferente daquela contada por nossos professores marxistas.

E resgatar essa história e honrar nossos fundadores é justamente o objetivo desse projeto. Em uma apresentação a qual tive acesso, o grupo declara: “O objetivo primordial é a revitalização do Bairro Imperial de São Cristóvão transformando-o em um pólo de turismo histórico-cultural no Rio de Janeiro, gerador de inserção social, além de renda e empregos sustentáveis numa importante iniciativa ambiental, cultural e de resgate da História do Brasil”.

Os criadores do projeto lembram que esse respeito à história é comum em vários outros países: “Praticamente o mundo inteiro entende as vantagens de se explorar de forma virtuosa seus legados históricos em zonas centrais. Cria-se um motor de desenvolvimento econômico limpo e sustentável, que atrai turismo, hotelaria, comércio de charme, gastronomia, cultura e entretenimento. Países próximos em cidades como Buenos Aires, Lima, Quito e na Cidade do México, para não falar da Europa, demonstram o efeito positivo deste resgate e revalorização de seu patrimônio histórico”.

É uma boa causa, e espero que o ministro Sergio Sá Leitão, que tem demonstrando bom senso em várias ocasiões, escute esse apelo e leve em conta os argumentos apresentados pelo grupo. Tanto projeto “cultural” absurdo espalhado pelo país, com verbas públicas que transferem recursos do cidadão trabalhador para picaretas “progressistas” disfarçados de artistas, enquanto nossa história e os marcos de nossa tradição vão sendo apagados sem qualquer constrangimento…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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