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Rodrigo Constantino

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Quando se aplaudem atos autoritários, a próxima vítima pode ser você

Por Erick Silva, publicado pelo Instituto Liberal

Os eventos que se sucederam nos últimos dias ficarão marcados como um dos momentos mais asquerosos e perversos da história política brasileira. Carlos Bolsonaro, vereador da cidade do Rio de Janeiro e filho do presidente Jair Bolsonaro, utilizou-se das redes sociais e do uso da militância bolsonarista para desferir ataques pesados ao vice-presidente Hamilton Mourão, acusando-o de trair e conspirar contra o presidente. E o que se viu na sequência foram cenas extremamente lamentáveis.

A política brasileira já presenciou diversas cenas chocantes e surreais, como atentados políticos, tentativas de golpe de Estado e até mesmo um assassinato no plenário do senado. Mas nunca antes na história brasileira um vice-presidente, no exercício do mandato, sofrera ataques tão violentos e impiedosos vindos de pessoas que, teoricamente, deveriam ser seus aliados. Nem mesmo nos anos 1950 e 1960, em que os vices eram escolhidos separadamente, podendo ser eleitos junto com o presidente de oposição (vide Jânio-Jango em 1961), havia acontecido algo do tipo.

Mas o pior de tudo não são os ataques de Carlos a Mourão: o pior é o apoio que as redes sociais deram ao vereador, endossando e incentivando novos ataques. No dia 24/04/2019, a #CalaBocaMourão alcançou os trending topics do Twitter. Influenciadores de grande alcance abastecem a artilharia de ataques colocando mais munição, alimentando ainda mais a escalada autoritária.

Esse tipo de ataque escancara o quão autoritário e perigoso é o movimento bolsonarista. O padrão dos ataques desenha-se mais uma vez: quando uma pessoa, ou instituição, age de maneira independente, sem se curvar à tropa, a militância ataca ferozmente a pessoa com o intuito de silenciá-la. Isso já aconteceu com jornalistas, com influenciadores digitais, ou até mesmo com cidadãos comuns que ousaram fazer qualquer tipo de crítica. O próprio título da hashtag (“Cala a boca Mourão”) já demonstra os objetivos da militância em relação ao general: querem que ele seja cordato, subserviente a todo e qualquer ato que Jair Bolsonaro fizer.

Para a militância bolsonarista, as pessoas não podem ter pensamentos diversos, não podem cometer a ousadia de discordar. Para os radicais bolsonaristas, as pessoas devem se submeter ao pensamento de Jair e de seus asseclas. Podem reparar: todos nós conhecemos algum amigo ou conhecido nosso que foi vítima de ataques de uma turba ensandecida pelo fato de você ter feito críticas ao Bolsonaro. Talvez você, que lê esse artigo, possa ter sido vítima deles. O bolsonarismo, assim como todo movimento de massa com cunho messiânico, não permite o direito de crítica. Ou você abaixa a cabeça para os desmandos deles ou sofrerá as consequências.

E é exatamente isso que está em jogo na batalha entre Carlos-Mourão: o direito de nos expressarmos. Esclareço aqui que eu não compactuo com uma parcela da visão política de Mourão. Diferente do general, sou favorável à privatização dos Correios, sou contra a legalização do aborto e acredito que jogos violentos não tornam as pessoas violentas. Caso estivesse em uma eleição e ele fosse candidato, eu não votaria nele. Todavia, sinto-me no dever de defendê-lo desses ataques, pois o que aconteceu com ele pode acontecer com qualquer um de nós. Imagina viver em um país em que os cidadãos tenham medo de criticar seus governantes? No Brasil isso já acontece, as pessoas estão com medo de fazer qualquer tipo de comentário e sofrerem pesadas represálias por isso. Um dos sintomas para o fim da liberdade de expressão em uma sociedade surge quando o cidadão tem medo de dizer o que pensa do próprio governo.

O que me deixa temeroso com o futuro do país é o fato de a própria população aplaudir esses arroubos autoritários. Pessoas que condenaram os abusos do STF, mas hoje querem que uma pessoa (antes de ser vice-presidente, Hamilton Mourão é um ser humano) se cale por dar opiniões que não corroborem com as pautas defendidas pela militância. Esse tipo de autoritarismo barato nunca termina bem, a história comprova isso.

Deixo um aviso para aqueles que concordem em silenciar pensamentos dissonantes: hoje, você aplaude o monstro do autoritarismo. Amanhã, você corre o risco de ser devorado por ele.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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