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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Quem realmente é tolerante: a esquerda ou a direita?

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Dave Rubin sempre foi um democrata “progressista”, um “liberal” no sentido americano do termo. De uns tempos para cá, porém, deu-se conta de que a esquerda se radicalizou demais e se tornou intolerante, inclusive com as tais “minorias” que diz defender. Rubin sabe disso: ele é gay assumido, casado com outro homem.

E ao se dar conta de que a liberdade de expressão estava ameaçada justamente pela esquerda “tolerante”, passou a conhecer melhor conservadores de direita. Foi aí que sua mudança de fato se concretizou: ele percebeu como os rótulos usados pela esquerda para definir essas pessoas são enganosos, falsos.

Rubin foi muito bem recebido pela direita conservadora, e nela descobriu pensadores com mente aberta, efetivamente tolerantes, interessados em debates sérios, civilizados e construtivos. Coisas cada vez mais raras na esquerda.

Hoje Rubin ainda se diz “liberal”, mas está mais para um liberal clássico, e seu programa de entrevistas é um dos melhores existentes. Nesse curto vídeo para a PragerU, ele resumiu bem essa situação atual, onde aqueles que alegam ser “tolerantes” acabam demonstrando, na prática, o maior grau de intolerância:

Isso vai ao encontro de um texto que publiquei no GLOBO em 2014 resenhando o livro A intolerância dos tolerantes, do teólogo canadense D.A. Carson. Segue um trecho:

Há um grupo cada vez maior de pessoas que, em nome da tolerância, demonstra incrível intolerância com aqueles de quem divergem. Carson argumenta que a “nova” tolerância representa uma forma peculiar de intolerância. Antes, tolerar era aceitar a existência de pontos de vista diferentes, conviver com eles, ainda que os combatendo.

Talvez o melhor exemplo dessa tradição seja a frase atribuída a Voltaire, que teria dito para Rousseau: “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo.” Vale notar que Voltaire considerava Rousseau um “poço de vileza”. Isso é importante, pois o ato de tolerar era nobre justamente porque o filósofo rejeitava claramente o pensamento e até a pessoa a quem estendia sua tolerância. Tolerar era aceitar as diferenças, não abraçá-las como nobres em si.

Hoje, significa aceitar os diferentes pontos de vista como se fossem igualmente válidos, uma mudança que parece sutil, mas tem grandes consequências práticas. Agora, o “tolerante” precisa tomar qualquer opinião como verdadeira. Em vez de aceitar a liberdade de expressão de opiniões contrárias, ele deve acatar todas essas opiniões.

[…]

Na verdade, os movimentos sociais de “minorias” costumam demonstrar bastante intolerância com certos grupos, como o de liberais e conservadores, principalmente os religiosos. A tolerância dos “tolerantes” é bem seletiva e limitada, na prática. Podem demonizar as elites, o homem branco ocidental, os ricos, os católicos, os “neoliberais”, e ainda conseguem posar de defensores da diversidade e da tolerância depois. Incoerente, não?

Algumas feministas destilam verdadeiro ódio aos homens e às mulheres que se recusam a aderir ao discurso de vitimização do “sexo oprimido”. Veganos não toleram aqueles que pensam que animais podem e devem servir de alimento ao homem. Racialistas chamam de traidores, com baba de ódio escorrendo pelo canto da boca, aqueles negros que se recusam a aplaudir a segregação da humanidade com base na “raça”. Membros do movimento gay demandam mais tolerância, ao mesmo tempo em que repudiam com veemência aqueles que simplesmente não gostam ou não querem perto de si homossexuais. Onde está a verdadeira intolerância? Todos são obrigados a achar “lindo” o amor entre dois homens? Se fosse para usar o conceito tradicional de tolerância, esses que não gostam ou sentem aversão (e não fobia) a gays teriam, sem dúvida, que aceitá-los e manter o devido respeito como seres humanos que são. Mas é só. Tolerar não deve ser sinônimo de gostar, aprovar, aplaudir ou mesmo conviver. Discriminar é separar, selecionar, e todos devem ser livres para escolher com quem querem compartilhar seus momentos.

Os fascistas são certamente intolerantes, assim como todo membro de seitas fechadas e fanáticas. Não convivem bem com o contraditório. Mas cabe perguntar: quem é realmente fascista? O conservador cristão que quer viver em paz na sua propriedade com sua arma e bíblia, ou o militante de algum coletivo de “minoria” que quer obrigar, ainda que na marra, esse cristão a adotar o seu estilo de vida “progressista”?

Qualquer um que vive de opiniões públicas sabe perfeitamente onde está a maior intolerância hoje. Ela vem justamente da esquerda que repete o tempo todo como ama a diversidade. Como os consumidores da Ford no começo, nós podemos escolher qualquer cor de ideologia, desde que seja vermelha.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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