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Acordei hoje e descobri que “tenho” um partido. Levei um susto ao ler a coluna de Ancelmo Gois:

ancelmo

O título está um tanto ambíguo e pode gerar confusão, como se eu fosse “dono” de um partido, mas o texto está mais correto: o NOVO tem o meu apoio, e um pouco mais, como tornei público nesta quarta: a minha filiação.

Depois vejo esse artigo lamentável, preconceituoso e caricato, que também tenta defender a ideia de que sou mais influente do que efetivamente sou dentro do Partido NOVO. João Amoedo, presidente do partido, chegou a brincar comigo: se a esquerda tem o Stédile com seu boné do MST, então agora a direita tem uma alternativa, um economista que veste literalmente outro boné. A “laranja mecânica” mal nasceu e já desperta pânico na esquerda, o que é bom sinal. Estamos no caminho certo.

Como a associação entre o NOVO e minha pessoa tem sido inevitável, gostaria de prestar alguns esclarecimentos que julgo importantes. Nunca achei que fosse ser filiado a um partido político, e se fiz isso agora, foi porque achei que seria incoerente de minha parte ficar de fora.

Luto por mudanças políticas e culturais há anos, sou membro-fundador do Instituto Millenium, presidi o Instituto Liberal, do qual sou agora presidente do Conselho Deliberativo, lancei vários livros, fiz várias palestras, escrevi centenas de artigos e, sim, colaborei com a criação do Partido NOVO. Fiz tudo isso pois acredito na causa liberal, tenho convicção de que o Brasil precisa seguir nesse caminho se deseja sair dessa armadilha de pobreza e dependência estatal. E não acho que há apenas um caminho para essa luta: ela deve ser em todas as áreas, no campo das ideias, na política, na cultura.

Cada um tem seu perfil, seu papel. Gosto da metáfora do time de futebol, que tem zaga, goleiro, técnico, atacante, meio-campo, laterais e torcida. Sou alguém que atua mais no campo das ideias. Alguns acham que tenho o perfil adequado para a política, que seria um novo Carlos Lacerda da vida. Agradeço o elogio, mas discordo. Sou combativo sim, não fujo nunca da raia, acho que falo bem em público. Mas não me vejo como político, não desejo isso para mim, e creio que outras pessoas, com estômago mais resistente e viés mais pragmático, fariam um trabalho muito melhor nessa área.

Também acho que um crítico, para ser confiável, precisa ser independente. Sou, acima de tudo, um pensador independente, que sequer aprecia muito os rótulos, apesar de compreender sua função. Sou, nesse sentido, um liberal clássico, o que nunca me impediu, porém, de flertar com algumas ideias libertárias e, mais recentemente, com valores conservadores. Defendo aquilo que julgo ser correto, melhor, e ponto final. Sou até mesmo acusado de ser “radical” por isso, o que acho engraçado, especialmente vindo de quem acha o PT “moderado” e o PSDB de direita.

Logo, preservar essa independência de análise e julgamento é fundamental para o que eu faço, e pretendo continuar fazendo por um bom tempo. Ser partidário, portanto, não seria algo adequado. Mas aqui há um ponto-chave que gostaria de destacar: tomar partido não é o mesmo que ser partidário! Como já disse, seria incoerente e até covarde de minha parte se eu, por comodismo ou precaução, ficasse de fora do projeto que, mal ou bem, ajudei a construir. O Brasil precisava de um partido liberal, e eu cansei de dizer isso, de lutar por isso. Como não dar meu voto de confiança, com a filiação, agora que ele nasceu de fato?

Isso não muda nada em minha postura independente e até apartidária. Ao contrário: terei um papel vigilante para que o NOVO realmente siga na linha do seu DNA, preservando seus valores e crenças. Conheço os principais nomes por trás do projeto, especialmente seu presidente, e confio neles. Sei que são gente séria, preocupada com o Brasil, com a ética, com a liberdade, com o progresso. Não teria cabimento não endossar seu esforço de forma oficial. Sou filiado ao NOVO por isso, e acredito mesmo que ele possa fazer a diferença. Vou continuar lutando por isso. Da mesma forma que estou na Veja porque defendo o que defendo, e não o contrário, estou agora no NOVO pelo mesmo motivo: o partido reflete muito do que acredito.

Mas lutarei de onde acredito agregar mais valor, que é no campo das ideias, cobrando coerência, apontando eventuais falhas, defendendo o liberalismo. O Partido NOVO é um dos principais instrumentos que os liberais têm agora para colocar em prática suas crenças e ideais. Eu não poderia ficar de fora, claro. Tenho esperança de que vimos esta semana o nascimento de algo grande, capaz de mexer essencialmente com o jogo político nacional, acostumado há tempo demais com os 30 tons de vermelho. Vamos em frente, que o Brasil tem pressa!

Rodrigo Constantino

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